A pandemia nos mostrou que, mais do que nunca, a conscientização e o debate sobre os cuidados com a saúde mental são assuntos urgentes. Para compartilharmos caminhos possíveis em um período de incertezas, o Grupo Jaime Câmara dá início, neste mês de março, ao projeto PsiQUÊ?, e convida toda a sociedade a participar, de forma ativa, da discussão do tema de forma descomplicada, mas responsável, juntamente com especialistas gabaritados. VEJA TAMBÉM• “Todo bom livro tem efeito terapêutico”, diz Dante Gallian• Saúde mental não significa felicidade constante• Palavra de especialista: Luciene Godoy fala sobre saúde mental na pandemia• Acompanhe nossas redes sociais e diga quais temas você quer debater O que está acontecendo com você neste momento? Como está se sentindo após tanto tempo de pandemia? A partir deste sábado (12/3), o POPULAR, a TV Anhaguera e a rádio CBN irão falar sobre questões como ansiedade, depressão, luto, entre outros sentimentos e emoções que muitas vezes são difíceis de ser colocados para fora ou explicados. Ao longo dessa jornada, diversos profissionais vão apontar como identificar os problemas relacionados à saúde mental e evitar gatilhos, além de falar sobre tratamentos e terapias possíveis. “O projeto PsiQUÊ? nasceu na pandemia a partir de um questionamento: como será que as pessoas estão lidando com tudo isso?”, aponta a psicanalista Larissa Câmara, idealizadora do projeto. Com base nessa premissa, o PsiQUÊ? surge com a proposta de ser um projeto totalmente interativo, com espaço tanto para os especialistas quanto para a comunidade em geral. “A partir da reflexão inicial, propus a seguinte: o que nós, enquanto grupo de comunicação, podemos fazer para desmistificar os preconceitos acerca do tema saúde mental e esclarecer para a população que existem saídas?”, explica. “Vamos trazer nomes nacionais que estão discutindo o assunto e profissionais locais extremamente gabaritados para tratar sobre o tema. Mas queremos ouvir o que vocês, leitores, têm a dizer sobre isso e quais são as dúvidas de vocês. É por isso que a comunidade é uma peça-chave para que o projeto dê certo”, descreve Larissa. TabusApesar da evidência dos últimos anos, o tema ainda está cercado de tabus e preconceitos. “É preciso muito cuidado com o estigma ao tratar sobre saúde mental. Mas é também extremamente necessário trazer esse assunto para a mesa. Muitas famílias têm dificuldade de conversar sobre o tema porque, de certa forma, é um assunto que expõe a nossa dor”, observa a idealizadora do projeto. Quando a saúde mental é trazida para o contexto da pandemia, é preciso olhar para as mais diversas camadas da sociedade que foram afetadas de alguma maneira. Um resumo científico divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no início do mês de março faz o alerta: a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25% e mostra a emergência da questão. “Pensar na pandemia é pensar em um volume de angústia diante de incertezas muito fortes. Mas o que é essa angústia? É natural eu sentir isso? Estou fora do ninho? Quando saber que é a hora de procurar um profissional?”, destaca Larissa Câmara. Nesta primeira edição, o psicanalista Jorge Forbes contextualiza o nosso estado de espírito diante do “novo normal”. Ele critica a obrigatoriedade de sermos felizes o tempo todo, alerta compartilhado pelas profissionais goianas Miriam Bueno e Márcia Marques Lopes de Oliveira, que desmistificam a ideia de felicidade constante como sinônimo de saúde mental. Há ainda quem aponte caminhos simples e até prazerosos de encarar os dramas da vida. É o que afirma o professor Dante Gallian, autor do livro A Literatura Como Remédio. “Todo bom livro tem efeito terapêutico”, disse ele em entrevista ao POPULAR.