Não é de hoje que adultos procuram ortodontistas em busca de um sorriso mais bonito. Também não é novidade a antipatia de que quem já passou dos 30 nutre pelo aspecto juvenil dos aparelhos dentários. A partir daí, coloque na conta a dificuldade na hora de fazer a higiene bucal após as refeições, a restrição alimentar que aumenta a vida útil do apetrecho e a dura adaptação aos fios metálicos e borrachinhas. Se na adolescência o aparelho pode ser prateado ou colorido, o ideal para os mais velhos é que ele seja transparente e o mais discreto possível. Atento a esse público, o mercado vem oferecendo opções mais modernas, práticas e quase invisíveis de aparelhos ortodônticos.

Foi por isso que a administradora Ana Carla Lionel, 33 anos, criou coragem para corrigir as imperfeições dentárias. Enfática ao afirmar que não se submeteria ao sorriso metálico do tratamento convencional, ela usa um modelo invisível e removível, feito de plástico e que move gradualmente os dentes para a posição ideal. “Há 30 dias eu durmo e acordo com ele. Só tiro na hora das refeições. A rotina acabou mudando, já que precisei ficar mais exigente quanto à higienização bucal. Parei de comer besteirinhas durante o dia e até emagreci”, brinca a administradora. O molde, personalizado, e trocado a cada oito semanas, exige maior dedicação e disciplina do paciente.

Ana faz parte de um grupo cada vez maior de pessoas preocupadas com a estética. De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Odontologia Estética (SBOE), o País figura como o segundo que mais realiza mudanças odontológicas relacionadas à beleza do sorriso. Para o especialista em ortodontia Cassiano Rocha Medeiros, a explicação é que houve avanços nas técnicas e os aparelhos ortodônticos acabaram se tornando mais baratos e menos visíveis nos últimos anos. “Antigamente, os tratamentos eram caríssimos e chegavam a ser cobrados em dólar. Hoje, houve ainda um aumento na quantidade de profissionais no mercado, e uma queda considerável nos custos.”

Benefícios

No caso do modelo usado por Ana Carla, Cassiano explica que o conforto para lábios e bochechas, a facilidade de higienização e a possibilidade de acompanhar a evolução futura por um programa específico são algumas das grandes vantagens de adaptação. “Conseguimos também aumentar o intervalo entre as manutenções, que podem ser feitas até de três em três meses. O tempo que o paciente fica no consultório também é menor”, explica. Para o especialista, o aumento na procura por tratamentos ortodônticos precisa ser duplamente comemorado, já que eles fazem muito mais pela saúde do que pela estética, melhorando a mastigação e a respiração e diminuindo problemas na coluna e dores de cabeça.

Cassiano explica que não há limite de idade para procurar um acompanhamento ortodôntico, desde que o paciente tenha os tecidos periodontais saudáveis e todos os dentes. O que muda, de caso para caso, é o tempo de tratamento. Outra distinção relevante é que os ossos da face dos adultos já estão calcificados; portanto, mesmo incomum, pode ser que cirurgias sejam necessárias para a correção de anormalidades ósseas. Isso torna o tratamento um pouco mais complicado, exigindo um planejamento minucioso do caso junto a outras especialidades odontológicas.