Sem citar o contexto de eleições no Brasil, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Lloyd J. Austin III, afirmou nesta terça-feira (26) em Brasília que "a democracia é o símbolo das Américas" e que as nações do continente compartilham valores comuns, tais como "compromisso com o estado democrático de direito" e "devoção à democracia".

Austin discursou durante a 15ª edição da CMDA (Confererência de Ministros de Defesa das Américas), realizada na manhã de hoje na capital federal. O anfitrião do evento é o ministro da Defesa do governo Jair Bolsonaro (PL), general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

O oficial se tornou nos últimos meses um valoroso aliado de Bolsonaro em sua empreitada pessoal de contestação à confiabilidade da urna eletrônica e do sistema eleitoral no país.

Ante ao viés político de seus posicionamentos, Paulo Sérgio foi convidado a prestar esclarecimentos no Senado, em 14 de julho. Na audiência, ele versou sobre as recomendações feitas pelo Exército ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) —e que foram rechaçadas pelo Tribunal por inadequação— e afirmou que, apesar das suspeitas lançadas, os militares não serão "revisores" das eleições.

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Por outro lado, o ministro voltou a cobrar da Corte eleitoral o acolhimento das medidas sugeridas pelas Forças Armadas e que, segundo o seu entendimento, tornariam o pleito mais transparente e seguro. A versão, no entanto, é questionável, pois o voto eletrônico já é considerado.

Na 15ª edição da CMDA, Austin destacou ainda o "papel libertador da democracia" quando "as democracias trabalham de forma conjunta".

O representante do governo do democrata Joe Biden também exaltou o conteúdo da Carta Democrática Interamericana. Em linhas gerais, o documento indica que a democracia deve ser a forma de governo em toda a extensão das Américas e estabelece cláusulas de compromisso para o fortalecimento da democracia no continente.

Mais cedo, durante a abertura da conferência, Paulo Sérgio disse que, "da parte do Brasil", há "respeito à carta da organização dos estados americanos, OEA e a Carta Democrática Americana, e seus valores, princípios e mecanismos".

O ministro da Defesa brasileiro também não fez qualquer menção ao contexto eleitoral.

Austin destacou que Brasil, Estados Unidos e os demais países do continente são "conectados não apenas pela geografia, também pelos interesses e valores em comuns". "À medida que aprofundamos nossas democracias, cada vez mais aprofundamos também a nossa segurança."

Sem clarear o raciocínio com detalhes, Austin disse ainda que a estabilidade democrática na região estaria eventualmente ameaçada pelo "esforço da China para obter influência". Segundo ele, "poderes estão trabalhando para desestabilizar regras" e convenções do "direito internacional".

Segundo a organização do evento, a CMDA foi criada em 1995 para "promover o conhecimento recíproco, a análise, o debate, a troca de ideias e de experiências na área da Defesa e da Segurança". A escolha de um país-sede é feita cada dois anos, de forma alternada entre as 34 nações-membros.

Com 41 anos de carreira militar, Austin é considerado nos Estados Unidos o principal auxiliar do presidente Joe Biden para assuntos relacionados ao Departamento de Defesa. Ele faz parte do Conselho de Segurança Nacional —instância máxima onde ocorrem as discussões e deliberações de temas pertinentes à soberania americana.