Grito no Cerrado

Acredito que as lembranças da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, tenham trazido aos que experimentaram e compreenderam o conteúdo da pauta, o significado da representatividade dos convidados e participantes, bem como a relevância do evento, que até hoje sugerem algumas de reflexões. Os discursos, as palestras, os grupos de trabalho, a divulgação de dados de pesquisas, índices estatísticos, relatórios e títulos da literatura especializada registraram momentos impregnados de esperança Envolvida com o tema e provocada por reportagens sobre a devastação do Cerrado goiano, fui buscar na estante um exemplar que retratasse o cenário daquele tempo e um pouco mais. Constatei que depois de 30 anos, a situação é bem pior do que aquela época, infelizmente. O que nos resta a fazer? Penso que alguma coisa ainda deverá acontecer e assim espero, pois a Semana Mundial do Meio Ambiente passou e continuamos a nos entristecer com as notícias trágicas, irreversíveis, e assistindo à destruição dos bens da natureza.

Por isso, voltando ao livro, tenho a obrigação de partilhar com todos que, desde o prefácio até o último título, o discurso ressalta a importância da vida na Terra, e que o avanço da tecnologia não pode se configurar numa arma de destruição, afinal “a Terra é o único planeta que temos que habitar”. Essa é a máxima que permeia as inúmeras páginas, um chamado a todas as nações do mundo, na expectativa de reverter o curso da história suicida das sociedades ao longo dos tempos, o que sugere um novo olhar que reconheça a importância de todas as espécies vivas, bem como a importância da água, do ar, da terra e sua biodiversidade, em nome da manutenção da vida.

Sejamos participantes dessa jornada, para que a Terra seja curada e nossa consciência seja renovada. Que os desafios sejam a motivação para alimentar o desejo de mudança e transformação das nossa atitudes. Lembrando que, “a humanidade representa o cérebro coletivo da Mãe Terra”.

Marta Horta Figueiredo de Carvalho | Jardim América – Goiânia

 

Incendiário

Neste domingo, 24, no Maracanãzinho, no Rio, em plena convenção do PL, que oficializa sua candidatura à reeleição, Jair Bolsonaro, no lugar de apresentar um plano de governo com propostas ao País, preferiu atacar o STF, chamando seus ministros de “surdos da capa preta”. Ainda fez questão de elogiar o que há de pior na política brasileira como os líderes do Centrão. E, incendiário que é, convoca suas milícias para “irem às ruas pela última vez no dia 7 de setembro”, Dia da Independência. Que seja mesmo pela última vez.

Paulo Panossian | São Carlos – SP