A resposta das perícias nem sempre surgem na velocidade exigida pelo clamor popular, o que é salutar, na medida em que um trabalho dessa natureza precisa se orientar pela racionalidade técnica e tanto quanto possível ficar imune ao contágio das emoções. Porém, pelo que é permitido deduzir no vídeo do atropelamento da menina Beatriz Santana Lopes em uma rua da Vila Mutirão, no último domingo, há fortíssimo indício de desrespeito ao limite de velocidade.

Trata-se de um dispositivo legal que, se observado, talvez tivesse livrado a menina da internação em estado grave na UTI. Zonas residenciais são espaços críticos, onde os carros não têm a primazia. É pela força e pela imprudência que eles se impõem, com consequências nefastas.

A velocidade de áreas densamente habitadas parece ser uma prática generalizada na capital. No Setor Bueno, onde o asfalto recebe manutenção amiúde, tem-se a impressão de que motoristas encontram pistas de corrida, tal a velocidade e o barulho dos motores.

É preciso que a dor da família Lopes sirva pelo menos para essa reflexão, já tardia, sobre a responsabilidade de quem anda de carro em espaços compartilhados com pedestres e ciclistas.