O Enem 2021, ao qual alguns sectários tentam dar contornos faciais, sinaliza em números um dilema que deveria preocupar políticos responsáveis mais do que qualquer moralismo rasteiro. A prova iniciada neste domingo (21) teve o menor número de inscritos: foram ao todo 3,1 milhões, índice mais baixo dos últimos 16 anos. O exame chegou a ter 8,7 milhões de inscritos em 2014. Em Goiás, cerca de 33% dos alunos inscritos não compareceram no primeiro dia de provas, segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Educação de Goiás e baseados em informações das regionais da pasta, que acompanham os estudantes cadastrados na rede estadual.

Portanto, mais do que qualquer repulsa às diferentes formas de se estar no mundo, urge a reflexão sobre o desalento dos estudantes. O ataque ideológicos às escolas, seguido da pandemia, semeou uma aparente descrença no poder dos estudos como forma de ascensão social.

Segundo relatório do Unicef, em novembro do ano passado, havia cerca de 1,5 milhão de jovens de 15 a 17 anos sem qualquer tipo de acesso à educação no Brasil.

Antes de impor rostos, é preciso que se conheça em detalhes a cara do Brasil e, partir do que se vê, propor soluções.

O resto é mero proselitismo eleitoral.