Reportagem nesta edição traz um levantamento inédito que mostra como uma cultura se impõe, de modo a ser confundida com normalidade, se cristalizando sem maiores contestações - o que, nesse último quesito, começa felizmente a mudar. De ruas, avenidas, praças e vielas da capital, somente 19% são batizadas com nomes femininos.

Trata-se de um território consagrado do machismo, até como reflexo da política. O mérito da reportagem é mostrar a desproporção.

Outro elemento chama a atenção para além da matemática. Dos endereços batizados com nomes de mulheres, ou são nomes de parentes de políticos homens, o que já deixa implícita uma subordinação, ou estão em locais periféricos, distantes do centro do poder.

Cientistas ouvidas na reportagem são unânimes em interpretar esse fenômeno como reflexo do patriarcado, caracterizado pela redução sistemática do espaço de poder para as mulheres. É uma estrutura firme, repleta de forças reacionárias num esforço de manutenção, que só vai ser contestada a partir da percepção do tamanho da desigualdade.

Nisso, aliás, o jornalismo cumpre um papel importante e inarredável, ao qual o POPULAR se alia. Permanentemente.