Os números apresentados em reportagem especial de hoje, que mostram a defasagem no cumprimento de metas da educação infantil no Estado, ilustram o tamanho do problema que estamos alimentando para o futuro. O cruzamento de dados aponta que quase 80% das cidades goianas têm menos da metade das crianças de até 3 anos em creches. A proporção deixa claro que a meta fixada para 2024 está longe de ser alcançada. Já a universalização da pré-escola para crianças de 4 e 5 anos, meta que deveria ter sido cumprida em 2016, há cinco anos, sequer foi atingida. Goiás tem apenas 75% das crianças dessa faixa etária na educação infantil. A visão superficial de que essa fase inicial de ensino serve apenas ao entretenimento não tem procedência. A etapa é considerada uma das mais importantes na formação da criança, um alicerce do aprendizado, onde ela experimenta o mundo fora do convívio familiar e interage com o diferente. A falta ou precariedade nesse processo vai interferir na experiência educacional futura, criando desigualdades de condições que se refletirão na renda e no desenvolvimento. É urgente dar atenção máxima à educação, em todas as suas etapas, sob pena da perpetuação de profundos abismos sociais.