O maior carnaval de todos os tempos.

Assim passou para a posteridade a folia de 1919, a primeira após a pandemia da Gripe Espanhola, que deixou doentes 600 mil moradores do Rio de Janeiro e superlotou os hospitais da época em outubro do ano anterior. Não havia profissionais da Saúde para todos. Médicos da Santa Casa da Misericórdia tombavam adoecidos. Religiosos em trabalho beneficente, idem. Nos cemitérios, faltavam até coveiros para enterrar os mortos, como mostram os jornais da época. Daí a imensa alegria generaliza no Carnaval seguinte, quando a imunidade fora atingida de forma ainda hoje misteriosa para historiadores e especialistas da Saúde.

O maior carnaval de todos os tempos de nossa geração não será o de 2022 - se o bom senso, tão escasso, prevalecer. Adiá-lo é medida sensata para evitar possíveis curvas invisíveis de contágio e o surgimento de variantes do coronavírus.

A cautela se justifica ainda mais em municípios menores, que têm pouca disponibilidade de leitos clínicos em caso de alta abrupta dos casos. É notório o cansaço de todos com as restrições impostas pelo coronavírus. Mas celebrar o fim antes do tempo talvez seja apenas um jeito de prolongar a agonia.