Em tempos pandêmicos, o Sistema Único de Saúde, o nosso SUS, vive uma espécie de idílio com a população. O firme avançar da vacinação contra a Covid-19, a despeito das sucessivas sabotagens do Palácio do Planalto, reforçou a percepção da importância de uma estrutura extremamente capilarizada, capaz de universalizar o atendimento num país das dimensões do Brasil. Mas o que se viu em Goiânia nos últimos dias interrompe a evolução da confiança no sistema. Reportagem na edição de ontem mostra a degradante peregrinação de pacientes atrás de atendimento nos postos de saúde da cidade. Há dificuldade em obter tanto consultas médicas quanto internações, justo num momento em que as síndromes gripais se alastram em paralelo à pandemia do novo coronavírus. Em nota, a Prefeitura “reconhece o transtorno” e chama a atenção para a prorrogação dos contratos que seriam encerrados no mês de dezembro”. Por se tratar de um serviço essencial, talvez fosse o caso de antever a questão burocrática, porque, agora, é um pecado de gestão que empurra a população para uma incerteza totalmente evitável.