A principal reportagem da edição de hoje mostra como a procrastinação pode ser premiada. As cidades com mais de 250 mil habitantes tinham até 12 de abril deste ano para apresentar um plano de mobilidade. Por trás desse nome meio pomposo, há todo um racional sobre seu direito de ir e vir.

É um momento também para refletir como nossos filhos e netos vão se deslocar pelas cidades.

Quem desrespeitasse o prazo, ficaria sem verbas federais para projetos de trânsito. Nem assim cidades goianas acharam isso importante. Simplesmente não fizeram o plano. E agora?

Vão receber o dinheiro mesmo assim, por uma mudança aprovada a toque de caixa no Congresso Nacional para permitir a transferência de emendas parlamentares destinadas a mobilidade urbana. Tudo isso num ano eleitoral.

A manobra eleitoreira, por si só, já seria suficientemente degradante. Mas a questão mais grave é a completa desimportância que tema tão relevante ocupa na agenda dos homens públicos. Sem um plano muito bem estruturado, seguiremos construindo mais e mais viadutos, sem jamais atacar a raiz de nossos verdadeiros problemas de mobilidade.