Veio ontem um contorno numérico àquilo já inteiramente perceptível no bolso: a prévia da inflação oficial no Brasil avançou 1,17% em novembro, na maior variação para o mês desde 2002. Trata-se de um fenômeno mundial, mas que o Brasil, por estripulias particulares, se encarrega de intensificar. Ao desalinhar cadeias produtivas, a pandemia provocou escassez de insumos no mercado internacional. Com a falta de matérias-primas e a reabertura da economia, os preços dispararam aqui e acolá. Entre as nações do G20, apenas a Argentina, com índice perto de 50%, e a Turquia, à beira dos 20%, amargaram corrosão da moeda superior.

Por aqui, a pressão de custos chega no bojo da desvalorização do real em frente ao dólar. Ao longo da pandemia, a moeda americana ganhou força no país em um contexto de turbulências políticas e incertezas fiscais. E a inflação nesse patamar conspira contra o crescimento da economia brasileira.

Ao País, cabe agora contar com a sorte de a chuva enfim desabar a ponto de aliviar os custos com energia elétrica, com efeitos benéficos na condição geral de preços. E que não venham novas investidas como o sepultamento do teto de gastos e a moratória de precatórios, a perturbar o ambiente.