O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou na quarta-feira a Selic pela 12ª vez consecutiva, o que acompanha a expectativa do mercado. A elevação da taxa foi de 0,50 ponto porcentual, levando a Selic para 13,75% ao ano. E restou um porém: o comunicado sinalizou que a alta pode não ser a última etapa no ciclo de aperto monetário.

A expectativa era de que o ciclo se encerrasse agora, mas analistas de bancos de investimentos já adiantavam que haveria a possibilidade uma alta adicional em setembro. Foi o que aconteceu: o BC indicou que irá avaliar a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude – ou seja,
de 0,25% – em sua próxima reunião.

Caso a taxa seja elevada mais uma vez, a Selic iria para o patamar de 14% ao ano, o que não ocorre desde outubro de 2016.
Há um entendimento de que será difícil para o Banco Central ancorar as expectativas considerando que a inflação está acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta de 3,5% em 2022 e 3,25% em 2023. A tolerância, vale lembrar, é de 1,5 ponto porcentual.

Resta saber agora se o Copom deixará a postura agressiva de ficar à frente da curva para assumir uma posição de espera “para avaliar os efeitos das fortes altas da taxa de juros sobre a atividade”.