Reportagem nesta edição revela um dado alarmante: Goiânia perdeu 56 hectares de superfície natural de água em dez anos, volume que representa redução de 77%. Nesta conta não entram áreas artificialmente cobertas, como lagos dos parques, córregos canalizados e reservatórios de água, a exemplo do João Leite.

Isso porque, embora eles sejam fundamentais para abastecimento público, por exemplo, para contemplação, lazer ou para a economia, não podem ser considerados locais viáveis do ponto de vista ambiental.

As medições foram feitas por satélite e acendem um alerta importante. Os dados mostram a interferência humana ininterrupta na natureza, com consequências previsíveis e indesejáveis para a fauna, a flora, matas ciliares e permeabilização do solo.

As ações são resultado da ocupação urbana equivocada, com consideráveis prejuízos ambientais. Enchentes, mudanças climáticas, piora nos índices da qualidade do ar, desaparecimento de nascentes, prejuízo ao reabastecimento do lençol freático são alguns dos efeitos esperados para a urbanização desenfreada e sem planejamento. Um Plano Diretor técnico e responsável é absolutamente indispensável para evitar essa tragédia.