Uma informação humilhante para qualquer sociedade que se pretenda civilizada veio à tona sexta-feira. Operação identificou e resgatou
92 trabalhadores submetidos à situação análoga à escravidão em propriedades rurais de Goiás.

Todos atuavam na extração de palha de milho, enquanto pernoitavam em acampamentos e cozinhavam no meio do mato. Importante destacar que esse flagelo só foi flagrado por força da fiscalização, hoje desidratada.

Em junho, a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados recebeu denúncia de redução da estrutura de fiscalização e das verbas destinadas ao combate do trabalho escravo. Nesta audiência pública, o diretor da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, Valter Pugliesi, ressaltou que, sem a presença firme do estado, as ilegalidades são incentivadas. Além disso, o magistrado pediu que não haja retrocesso legislativo na conceituação de trabalho escravo no Código Penal. E citou o Projeto de Lei 3842/12, que retira da definição termos como “jornada exaustiva” e “condições degradantes de trabalho”. Pela proposta, o trabalho análogo à escravidão seria apenas aquele realizado sob violência. Cabe à sociedade observar essas questões.