Em dezembro, emergiu o custo das motociatas em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) ao longo do ano passado. O contribuinte desembolsou praticamente R$ 5 milhões nesses passeios de mobilização da base popular de sustentação bolsonarista, segundo levantamento realizado pela Folha de S.Paulo depois de mais de 50 pedidos via Lei de Acesso à Informação. A soma leva em conta as despesas com o cartão de pagamento do governo federal, informadas pela Secretaria-Geral da Presidência, e os gastos assumidos pelos estados para garantir a segurança.

Pois bem. Nos últimos dias, fermenta a preocupação pelo fim do monitoramento via satélite do Cerrado. Em abril, acabam os recursos destinados ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para a manutenção desse trabalho. Por ano, o monitoramento do bioma custa em torno de R$ 2,5 milhões - ou seja, a metade do que
se gastou em eventos festivos sobre duas rodas.

Portanto, o debate de ordem econômica tenta camuflar uma questão que, a rigor, é de prioridade. Na escala de urgências de quem hoje ocupa o Planalto, a reeleição vem antes de tudo: inclusive da preservação de um bioma já reduzido à metade do tamanho original.