Para além da fome, o mais urgente e desumano flagelo da crise econômica, há outro fator em tons perversos aturdindo as famílias. Trata-se da incapacidade de honrar compromissos, o que se traduz na inadimplência recorde.

No mês de abril, a inadimplência dos brasileiros bateu novo recorde com mais 66 milhões de pessoas com dívidas em aberto. O resultado é o maior número da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2016.

Com relação ao perfil das dívidas, é possível notar o fosso que se aprofunda. Os segmentos de bancos e cartões possui 28,1% dos débitos, enquanto contas básicas como água, luz e gás representam 22,9%. Na comparação com abril de 2021, o setor de Financeiras foi o que teve maior aumento na participação de inadimplência, indo de 9,6% para 12,4%.

No âmbito local, reportagem na edição de ontem apontou que 40% dos goianos estão com dificuldades de pagar as contas, a ponto de ir para o registro nos serviços de proteção ao crédito. São ao todo 2,1 milhões de consumidores inadimplentes no Estado, dos quais 534 mil só na capital.

Tais números mostram a gravidade de uma situação que requer soluções com mais fundamento, sem a pressa dos que só têm olhos para a eleição.