Depois de quase dois anos vivendo sob o espectro da pandemia de Covid-19, já deveria ter ficado claro, pelo menos aos mais atentos, o caráter tardio dos reflexos do contágio acelerado na rede de saúde.

Pelo ciclo do novo coronavírus, as pessoas que desenvolverem formas mais severas da doença só vão buscar atendimento médico
15 dias depois de infectadas.

Reportagem nesta edição mostra que - do que foi possível apurar, visto que inexplicavelmente os municípios deixaram de atualizar os boletins semanais - pelo menos 111 cidades do interior do estado mais que dobraram os casos da doença desde o mês de dezembro.

Na sexta-feira, o Conselho dos Secretários Municipais observava a escalada de casos sem contudo encontrar o reflexo nos atendimentos médicos, sejam ambulatoriais,

sejam em nível de hospitalização.

Mas há o temor de que os doentes cresçam na mesma proporção dos infectados, o que provocaria imediato colapso da estruturas já modestas das pequenas cidades.

Daí a importância de não se baixar a guarda, manter a vigilância e se antecipar à crise, sob pena de amargarmos mais mortes evitáveis.