As emendas pix são o símbolo mais acabado do sequestro do orçamento pelo Congresso Nacional, sem nenhum esforço em contrário do Planalto, até porque o inquilino colhe benefícios políticos disso. Em prefeituras Brasil afora, a modalidade virou um caminho para, sem transparência nem fiscalização, financiar atividades diversas. Nesse leque, cabe até contratos milionários para shows de cantores sertanejos, alguns dos quais com carreira ainda em fase embrionária.

Segundo levantamento da Revista Piauí, desde 2020, quando o mecanismo foi criado, a verba autorizada para esse tipo de emenda aumentou 4,5 vezes.

Em 2022, o dinheiro previsto para elas é 2,5 vezes o total disponível para investimentos no Ministério da Saúde.

Em Goiás, reportagem de Marcos Carreiro mostra a mesma tendência.

O Ministério da Economia se diz incapaz de rastrear o destino de 88% dos recursos de emendas parlamentares federais liberados para o estado. Dos R$ 103,3 milhões liberados para municípios goianos, houve transparência a respeito do gasto de somente R$ 12,4 milhões.

Todos números indicam a necessidade de se discutir a aplicação estratégica do orçamento, ou então que nos limitemos a financiar as urgências eleitorais dos parlamentares.