A pandemia trouxe, ou pelo menos consolidará no futuro, uma percepção da importância da vacinação, que no Brasil se dá de forma universal no âmbito do SUS. Os índices de cobertura vacinal vinha caindo, fazendo o espectro de doenças praticamente erradicadas, como o sarampo e a poliomielite, voltarem a assombrar a população. A oportunidade de testemunhar a ciência agindo em tempo real, com propósito específico bastante claro, deveria reforçar a compreensão desse gesto de respeito ao outro, que é a vacinação.

Reportagem nessa edição expande esse apelo para além da Covid. A cada 47 segundos, uma criança de menos de quatro anos morre de pneumonia no mundo, segundo relatório da Global Burden Of Disease (GBD). Em Goiás, desde 2019, 142 óbitos pela doença foram registrados em menores de 5 anos. Ainda assim, a vacina pneumocócica conjugada 10-valente (VPC10) não atinge a meta de cobertura, de 95%. No Estado, ano passado, Goiás fechou com 84,23% e a capital, Goiânia, com 79,5%. Esse ano a coisa caminha ainda mais desastrosa: 57,84% no estado e 68,03% em Goiânia.

É hora, pois, de exercer a lucidez acessível aos que se dispõem a enxergar o mundo sob a ótica da razão.