Cientistas dos mais respeitados já comentaram algumas vezes que, se a razão prevalecer, a máscara tende a ser a última medida sanitária a ser abolida na pandemia. E a defesa dessa proteção se alicerça num raciocínio bem simples: elas têm um benefício alto com custo muito baixo e ninguém tem efeito colateral por usar a máscara - em que pese hediondas campanhas de desinformação que circulam nos esgotos das redes sociais.

É portanto uma medida extremamente efetiva do ponto de vista de custo-benefício, porque é basicamente só benefício.

Porém, na dinâmica quase criminosa que a política instalou nas estratégias de combate à pandemia, os ganhos eleitorais nunca saíram de perspectiva. Mandatários se apressam em afrouxar medidas sanitárias menos de olho na saúde e mais na eleição. Por esse motivo, surge em boníssima hora a decisão da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) que trata da questão em Goiás. A partir de agora, somente os municípios goianos com cobertura vacinal completa (duas doses ou dose única) maior ou igual a 70% poderão adotar a desobrigação do uso de máscaras em locais abertos e sem aglomeração.

Trata-se de um parâmetro que impõe responsabilidade num ambiente onde ela andou escassa.