Pode-se dizer que, simbolicamente, a capital nasceu ali. Isso porque o Batismo Cultural de Goiânia, expressão cunhada para designar o conjunto de solenidades realizado em 1942, se deu no Teatro Goiânia, inaugurado um mês antes. Foi uma programação cultural que se estendeu de 1º a 11 de julho daquele ano, reunindo governadores, intelectuais e ministros para discursos, entrega da chave da cidade ao primeiro prefeito, Venerando de Freitas.

Até o presidente da República, Getúlio Vargas, marcou presença. Cerca de 600 estrangeiros também vieram prestigiar. O Cerrado fervilhou.

Mas o mais bonito dessa história deflagrada 80 anos atrás é que o Teatro Goiânia hoje se moldou de forma orgânica à vida cultural do município. Não é preciso ser nenhuma autoridade para desfrutar a beleza do seu traço art decó. É um palco democrático, por onde passam artistas consagrados, de exuberante talento, e outros ainda em formação, que fazem das paredes do Teatro Goiânia a testemunha de seu desabrochar.

Num momento em que a arte e a cultura ficam sendo insistentemente colocadas em segundo plano por um discurso obscurantista, Goiânia precisa celebrar ainda mais o privilégio de contar o endereço que a viu nascer.