Um dado transbordante de violência, retrato de uma intolerância nitidamente fatal, surge em reportagem nesta superedição.

Ano passado, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, ao menos 368 pessoas foram agredidas fisicamente por preconceito com sexualidade ou identidade de gênero em Goiás. Trata-se de uma alta de 161% em relação ao ano anterior.

A hostilidade ainda se constitui um risco bastante palpável na vida das pessoas da comunidade LGBT.

O risco é também de vida. Pelo menos 316 morreram no Brasil por causas violentas derivadas da orientação sexual em 2021, segundo um levantamento do “Observatório de Mortes e Violências contra LGBT” – que reúne organizações da sociedade civil.

A legislação já avançou no sentido de preservar essa população.

A criminalização da violência motivada pela orientação sexual ou identidade de gênero da vítima no Brasil foi aprovada em 2019. Desde então, a LGBTfobia é enquadrada como crime de racismo – nos moldes da Lei nº 7.716/89.

Apesar dos avanços em relação aos direitos desta população, tanto o número quanto a falta de dados oficiais evidenciam a importância do debate. O silêncio, nesse caso, favorece o agressor.