Os números dão apenas uma dimensão fria da tragédia social que se abate sobre o País. Pesquisa divulgada no último dia 8 revelou que o total de brasileiros em insegurança alimentar grave praticamente dobrou em menos de dois anos. São mais de 33 milhões nessa situação, o que representa 15,5% da população. Reportagem publicada nesta edição expõe parte das nefastas consequências dos números. Crianças que estudam na rede pública de Goiás chegam famintas às escolas, que estão sendo obrigadas a reforçar a produção de merenda para atender o aumento da demanda. Muitos desses alunos têm o colégio como fonte da única refeição do dia. Mal alimentados, eles sentem o efeito direto na capacidade de aprendizado, prejudicada pela nutrição deficitária. Aprofunda-se assim o abismo das desigualdades. A pobreza se perpetua ao longo de gerações com as condições desvantajosas de competição no mercado de empregos. As eleições se aproximam e este é o momento apropriado para que os eleitores se informem adequadamente sobre os candidatos, seu histórico, suas propostas e coerência na vida política. O combate à fome deve ser prioridade absoluta de quem pretende assumir um lugar na vida pública.