Muita conversa mole se nutre do gosto predominante por carros em velocidade. Há até um certo moralismo em alguns momentos. Mas nada do que se diga no elevador ou na mesa de bar alcança a dor de famílias que, por trás dos números, perdem pessoas, a maioria jovens. A palavra não basta, nesses casos. É preciso ação de ordem preventiva.

E a questão é que isso não pode debitado apenas da força da cultura. Primeiro, porque cultura pode ser mudada à luz de novos valores que vão surgindo. Segundo, porque seria uma atitude por demais confortável, quando não omissa, sendo as mortes no trânsito problemas passíveis de serem pelo menos mitigados. Por vezes, medidas antipáticas são necessárias, que certos governantes preferem tangenciar.

Em entrevista à jornalista Cileide Alves, o perito criminal e especialista em acidente de trânsito, Antenor Pinheiro, observa que o poder público não só se omite, como estimula a violência ao não rever, por exemplo, certos limites de velocidade. Vale a pena ouvir o Chega pra Cá, no site do POPULAR ou nas plataformas de podcast, para que compreendamos a dimensão de uma tragédia diuturnamente negligenciada.