O anúncio de filiação de Jair Bolsonaro ao PL, de Valdemar Costa Neto, pode ter sido feito de maneira açodada, afirmou o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que disse ainda que as portas de seu partido "nunca estiveram fechadas nem posso dizer que continuam abertas" ao presidente da República.

A filiação de Bolsonaro ao PL estava inicialmente marcada para a próxima segunda-feira (22), mas foi adiada após "intensa troca de mensagens" com o presidente na madrugada do último domingo (14), segundo Valdemar.

Lira foi entrevistado pela CNN Brasil em Portugal, onde participou do Fórum Jurídico de Lisboa. Ele foi questionado sobre se ainda haveria conversas sobre uma eventual migração de Bolsonaro ao PP.

O deputado afirmou ser filiado do partido e disse não participar das discussões, filiações e negociações para as composições dos diretórios estaduais do PP.

"Não será diferente em relação a uma possível filiação ou não do presidente da República ao meu partido ou a um partido aliado", disse, lembrando que a filiação do presidente envolve "muitas negociações principalmente com relação aos diretórios regionais, aos espaços dentro do partido".

"Eu acho que, neste momento, o que deve estar acontecendo [no PL] é isso. Tanto o presidente da República quanto a direção do PL devem estar sentando para acertar alguns detalhes", disse.

"Talvez o anúncio tenha sido de maneira açodada, talvez o anúncio tenha sido apressado, talvez o anúncio ainda careça de um amadurecimento que eu não tenho dúvidas de que o Partido Liberal e o presidente da República deverão fazer e chegar num bom termo com relação à filiação do presidente."

Lira afirmou ainda que as portas do PP "nunca estiveram fechadas nem posso dizer que continuam abertas" a Bolsonaro e disse que a decisão cabia à direção do partido. "Como filiado, se for uma decisão do partido, estará certo e, se não for, estará certo da mesma forma. O partido continua na base aliada."

O adiamento da filiação de Bolsonaro ocorreu após Valdemar liberar estados, como Pernambuco, para terem autonomia e atuarem como acharem melhor nas eleições de 2022, sem o compromisso de apoiarem Bolsonaro.

Valdemar disse que não há data prevista para que ocorra o ingresso do presidente na legenda. No domingo, o próprio Bolsonaro havia dito que considerava difícil sua filiação ao PL no dia 22.

"O casamento tem que ser perfeito. Se não for 100%, que seja 99%. Se até lá nós afinarmos pode ser, mas eu acho difícil essa data, 22. Tenho conversado com ele [Valdemar], estamos de comum acordo que podemos atrasar um pouco esse casamento, para que ele não comece sendo muito igual aos outros", afirmou Bolsonaro durante visita à Dubai Air Show, feira aérea no emirado do Golfo Pérsico.

Um dos grandes entraves à filiação, de acordo com Bolsonaro, é a situação de São Paulo, onde o PL tem a intenção de apoiar a candidatura de Rodrigo Garcia (PSDB) ao governo do estado.

Os bolsonaristas descartam essa hipótese, já que Garcia terá o apoio do atual governador, João Doria (PSDB), um dos principais adversários do presidente.