O governador Marconi Perillo (PSDB) defendeu hoje o regime celetista para a contratação de servidores públicos, confirmando as críticas à estabilidade do funcionalismo feitas em evento do grupo Lide, em Salvador (BA), na semana passada. De acordo com o jornal A Tarde, Marconi chamou a estabilidade de "a coisa mais imbecil e mais burra que existe".

Em bate-papo na internet com o tema Educação na tarde de hoje, o governador respondeu a pergunta enviada pelo blog e confirmou também que transformou escolas da rede estadual em colégios militares em retaliação a professores que participaram de manifestação em evento em que ele estava presente. "Eu disse e repito: não podemos ter baderneiros nas escolas. Escolas que não conseguem lidar com baderneiros precisam de um modelo diferente, de um conceito diferente. Para essas pessoas, a melhor coisa é a escola militar. Há que se ter disciplina, hierarquia e respeito", disse no bate-papo.

Ainda de acordo com A Tarde, ele afirmou aos empresários que tem coragem enfrentar os "baderneiros". "Fui num evento e tinha um grupo de professores radicais da extrema esquerda me xingando. Eu disse: tenho um remedinho pra vocês. Colégio Militar e Organização Social. Identifiquei as oito escolas desses professores. Preparei um projeto de lei e em seguida militarizei essas oito escolas. O Brasil está precisando de 'nego' que tenha coragem de enfrentar"", relatou a reportagem. Marconi fazia referência a grupo de professores que protestou em evento em junho, no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

Sobre o questionamento a respeito da estabilidade do funcionalismo, Marconi comparou o setor público com a iniciativa privada e defendeu cumprimento de metas. "À exceção das carreiras de Estado, (a estabilidade) não existe na iniciativa privada e não deveria existir daqui pra frente no serviço público. Cada vez mais, temos de trabalhar a questão do mérito e da qualidade do serviço. Na minha opinião, o regime de contrato deve ser o celetista, alinhavado à questão de metas", afirmou, para completar: "O servidor tem de comparecer ao trabalho e entregar um bom trabalho. Na iniciativa privada, se uma meta não é cumprida, o servidor é dispensado. Por que seria diferente no setor público? Temos de ter respeito ao dinheiro público".

O bate-papo foi feito em São Paulo, com a participação de Ricardo Paes de Barros, um dos formuladores dos programas de combate a pobreza no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Em dezembro de 2013, um dos principais auxiliares de Marconi, o presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), Jayme Rincón, também criticou a estabilidade do servidor em entrevista na TBC. À época, entidades que representam o funcionalismo divulgaram notas condenando as declarações.

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