O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) passou a tarde de ontem (5) no Fórum Criminal em Goiânia, em audiência de instrução e julgamento de processo em que é acusado por caixa 2 na campanha eleitoral de 2006. Ele prestou depoimento e acompanhou a oitiva de 13 testemunhas - 10 indicadas pela defesa e 3 pela acusação.Trata-se da mesma investigação em que o ex-governador Alcides Rodrigues, hoje deputado federal pelo Patriota, foi condenado em maio deste ano a mais de dez anos de prisão. Apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, a investigação foi desmembrada porque Marconi tinha foro privilegiado. Em 2006, Alcides foi candidato à reeleição de governador e o tucano disputou vaga no Senado, quando ambos saíram vitoriosos.O processo corre em segredo de justiça porque tem interceptações telefônicas. A audiência, comandada pelo juiz Wilson Dias da Silva, da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas, foi fechada ao público.Entre as testemunhas indicadas pela defesa estavam os ex-deputados federais Giuseppe Vecci (PSDB) e Jovair Arantes (MDB), o ex-presidente da Saneago José Taveira (PSDB) e a ex-deputada estadual Lamis Cosac.Um dos advogados que acompanharam Marconi, Romero Ferraz diz que foi possível "comprovar claramente" que o comitê de campanha do ex-governador e candidato ao Senado não teve nenhuma ligação com os atos investigados. "Marconi foi eleito senador, portanto em primeiro turno. As investigações dizem respeito ao segundo turno, da campanha ao governo (Alcides)", afirma.Na época da campanha foi criado um comitê financeiro conjunto do grupo governista. O advogado, porém, afirma que havia contabilidade e contratações separadas.Segundo a defesa de Marconi, foi aberto prazo para diligências complementares e depois o processo segue para a fase de alegações finais. A audiência começou às 13h30 e terminou depois das 17 horas. A denúncia aponta notas frias, alteração de contratos e manipulação de valores da campanha para carros de som e panfletagem. Há indicação de caixa 2 para pagar um contrato de R$ 598,5 mil com a empresa Multcooper.Ainda segundo a denúncia, a campanha dos dois também teria contado com servidores comissionados, inclusive durante o expediente, e "bens públicos móveis e imóveis". Confira a lista das testemunhas:Testemunhas de defesaGiuseppe VecciJardel SebbaJosé Paulo LoureiroJosé TaveiraJovair ArantesJúlio Cesar de MeloLamis CosacNédio LeiteRubino CardosoSebastião Martins Testemunhas de acusaçãoVasco Melo Santos Camargo Jr.Guilherme Conceição BonfimMaria de Fátima do Nascimento Giolo *** E-mail: fabiana.pulcineli@opopular.com.brTwitter: @fpulcineliFacebook: fabiana.pulcineliInstagram: @fpulcineli