Apesar das ações de seus aliados para reaproximar sua imagem da do presidente Jair Bolsonaro (PL), a menos de cinco meses das eleições, o governador Ronaldo Caiado (UB) nega afastamento do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em entrevista ao POPULAR, ele rebate críticas de adversários à sua gestão, diz que caberá à população comparar os governos, e repete que o nome ao Senado será escolhido pelos partidos de sua base.

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Aliados têm buscado reaproximar o sr. do presidente Jair Bolsonaro. Acredita que essa reaproximação deve se dar ainda no primeiro turno ou apenas no segundo?

Primeiro, tenho que deixar claro que nunca houve nenhuma dificuldade minha em falar com o presidente Jair Bolsonaro. Modéstia a parte, não preciso de interlocutor. Você pode ter certeza que eu pego o telefone, ligo, marco a audiência e falo com ele. Esse quadro aí não existe de maneira nenhuma.

 

Quando se fala em reaproximação também é no sentido do eleitorado do presidente. Existe distância entre o sr. e essa parte dos eleitores. O sr. foi vaiado em Rio Verde, por exemplo, em evento com o setor rural.

 

Não cabe a mim ficar comentando vaia fabricada. Se fosse pelo menos uma vaia espontânea, era uma coisa. Acho que essa posição já ficou bem clara. Eu tenho total independência, o presidente tem a dele; eu cumpro aquilo que é a função do meu cargo como governador, e ele de presidente.

 

Então, o sr. não terá dificuldades com os eleitores bolsonaristas em Goiás?

Zero. Não terei dificuldade nenhuma. Essa é uma tentativa de criar um factoide.

 

Adversários criticam as trocas na Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), sob especulações de ingerência política. Houve ao menos duas trocas nos últimos três anos em meio a falas de pressões da administração sobre delegados, seja para investigar adversários ou para entregar listas de inquéritos em andamento. Houve algum tipo de ingerência política na segurança pública do Estado?

Não teve, não tem e não terá. Isso é o desespero dos incrédulos. Não acreditavam que nós conseguiríamos segurança pública no estado. A alternância gradual nas funções devem ser feitas, e deve ser dado o mérito àqueles que estão construindo todo um resultado para a população goiana. Trocas são feitas sob o comando do diretor-geral e do secretário de Segurança Pública, não tem ingerência política no assunto. Tanto que hoje nós temos o primeiro lugar em segurança pública no país. Antes de eu receber o governo, o governo de Goiás era uma Disneylândia de bandidos; essa era a verdade. Goiás hoje não é apenas a melhor segurança; é uma realidade que o cidadão sente. Não tem espaço para bandido. Essa é a realidade. Essa foi a regra que eu determinei no governo: ou bandido muda de profissão ou muda do estado, e a polícia me entregou isso. Eu prometi na campanha e cumpri. Goiás é referência nacional. Eles (os adversários) é que teriam que explicar porque que eles foram coniventes com todo esse processo onde a criminalidade chegava muito perto do Palácio (das Esmeraldas).

 

Goiás ainda mantém a falta de transparência em relação à atuação de policiais. Por que o governo não é transparente em relação a isso?

Todos os dados foram entregues. Todas as ações do governo já foram informadas ao ministério (da Justiça e Segurança Pública). Todos os dados já estão com acesso à população (Até a tarde desta segunda-feira, 9, os dados ainda não estavam disponíveis. Segundo governistas, os números devem ser divulgados na próxima semana). O mais importante é que, no nosso governo, aquilo que plantamos como políticas de governo, quem colhe os resultados é o cidadão goiano. Em Valparaíso (de Goiás) tinha um outdoor lá dizendo: “Você está entrando na segunda cidade mais violenta do país.” Por que hoje você transita pelo Entorno de Brasília todo? Por que você anda em Goiânia a qualquer hora da madrugada? Isso é segurança pública e é isso o que tem de ser analisado pela população. Vamos fazer concurso agora para Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Técnico-científica, Polícia Prisional. Cada vez mais abrir espaço para repor aquela quantidade necessária para melhorar ainda mais a segurança pública de Goiás.

 

Existe previsão de concurso público para 5 mil vagas na educação estadual. Relatório do Observatório do Estado Social Brasileiro, porém, aponta déficit de 10 mil professores. Pretende zerar o déficit?

É o que estamos fazendo. Goiás é o primeiro lugar, no Brasil, em investimentos (na educação). Olha (mostra um gráfico): R$ 4,6 bilhões. Foi o maior, desde o ano 2000. Somos o primeiro lugar no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e quero preparar todos os meus alunos para ser também no Enem. Temos todos os alunos, hoje, uniformizados e (com) todo o material didático. Vamos atender o ensino médio, e chegar agora ao 9º ano do ensino fundamental, com chromebooks.

 

O sr. fala que o motivador das nomeações é técnico. No Detran, não foi político? Para agregar o Podemos à sua base? Eduardo Machado, o atual presidente, é vice-presidente nacional do partido.

De maneira alguma. Foi para fazer a CNH Social (O programa está em vigor em Goiás desde 2019), que é dada a milhares de pessoas em Goiás que não têm condições. Hoje, baixando todas as taxas, o Detran tem mais rentabilidade do que tinha antigamente. Fazendo tudo com transparência. Veja, o Estado tinha 254 leitos de UTI em Goiânia, Anápolis e Aparecida (de Goiânia) e hoje tem 23 cidades do interior dando dignidade às pessoas poderem ser tratadas. É uma mudança substantiva. Isso é exatamente uma gestão em que combatemos o câncer da corrupção. Não deixamos ele proliferar e, ao extirpar a corrupção, temos políticas boas em todos os lados. Aí não pode mudar um cargo na gestão, um diretor na delegacia de polícia? Quais são os resultados que o Estado está apresentando ao cidadão? Hoje tem o Aluguel Social, o Mães de Goiás, os R$ 100 da Bolsa Estudante. Tem o cofinanciamento que é dado a todas as prefeituras de Goiás; tem o programa Goiás em Movimento. Recuperamos mais de 1.800 km de rodovia. Não pagaram nem a Bolsa Universitária. Estavam há 17 meses sem pagar. R$ 76 milhões. Nesta semana, eu pago a última parcela dos R$ 76 milhões. Os estudantes do Bolsa Universitária não iam receber mais diploma. Hoje, ninguém precisa de intermediário para receber do Estado.

 

O governo tem acompanhado o possível processo de venda da Enel, e o sr. chegou a conversar com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a respeito do tema. Acredita que uma mudança de empresa na gestão energética no estado deve melhorar algo?

Com certeza terá uma mudança, até porque nós sabemos as condições predatórias com que fizeram este contrato com a Enel. O Estado teve que assumir uma dívida de R$ 7,5 bilhões (O Estado assumiu quase R$ 6 bilhões em dívidas da Celg D antes da privatização) e vender a Celg por R$ 1,1 bilhão (A antiga Celg D foi vendida por R$ 2,1 bilhões, dos quais R$ 1,1 bilhão ficaram com o Estado, que detinha 49% das ações), aplicados numa campanha eleitoral. Isso é dar calote no povo goiano. Isso (a venda da Celg D) foi feito num momento em que, se abrissem a caixa preta da Celg, seria um escândalo maior que o da Petrobras. E aí (o governo) assumiu essas dívidas enormes, que nós renegociamos. Aí foi feita a concessão à Enel, e eu disse ao ministro (Bento Albuquerque) que eles não vão cumprir (o plano de resultados). O não cumprimento, pelo quinto ano, vai para a caducidade. Ou seja, a Enel vai perder a concessão e, por isso, precisamos já discutir esse assunto com a bancada federal de Goiás. Esse assunto já foi polemizado na Câmara dos Deputados, pois quiseram fazer um arranjo num projeto de lei, colocar um jabuti lá para a Enel prorrogar mais o tempo de concessão e nós abortamos isso. Então, já estamos tratando disso: se em dezembro, eles (Enel) não terão como continuar à frente da distribuição de energia, de que forma se dará o leilão, quem se interessa para dar a Goiás o que o estado mais precisa para crescer.

 

E qual foi a posição do ministro sobre esse assunto?

De total apoio ao governo de Goiás.