A despesa da Prefeitura de Goiânia com servidores comissionados foi de R$ 75 milhões em 2021. A quantidade de funcionários com este tipo de vínculo nomeados pela administração municipal no primeiro ano de mandato do prefeito Rogério Cruz (Republicanos) foi variável ao longo dos meses, mas registrou crescimento. As informações são do portal da transparência da prefeitura.De acordo com dados da folha de pagamento de janeiro de 2021, o primeiro mês de mandato teve 694 comissionados (eram 1.394 em dezembro de 2020, o que demonstra queda no período de transição). Em fevereiro, o número subiu para 1.116. O pico ocorreu em julho, quando a prefeitura teve 1.410 servidores nomeados em cargos comissionados. O número de comissionados teve queda em agosto, mas depois voltou a subir, terminando o ano em 1.329.Estes espaços também podem ser preenchidos por servidores efetivos, que são deslocados de suas funções originais para outras, de acordo com decisão do gestor. É comum que eles recebam gratificação ou salários maiores diante da mudança. Vale lembrar que Cruz assumiu o comando do Paço efetivamente no dia 15 de janeiro, após a morte do prefeito Maguito Vilela.Os 1.410 comissionados de julho correspondem a 91,7% dos 1.536 postos de trabalho desta natureza existentes no município, segundo a Lei Complementar 335/2021, norma que estabelece a organização administrativa do Executivo. O texto foi aprovado no final de 2020, durante o período de transição, e foi proposto pelo MDB.Em 2017, primeiro ano do mandato da gestão anterior, de Iris Rezende, o ex-prefeito teve, no máximo, 992 comissionados em um único mês. O pico foi registrado em dezembro daquele ano. Diante da menor quantidade de cargos nomeados, Iris também gastou menos com comissionados. A despesa do ano somou R$ 48 milhões (valor corrigido pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo).De acordo com Secretaria Municipal de Finanças, atualmente os gastos com pessoal correspondem a 46% da receita corrente líquida (RCL), porcentual que está dentro do limite de 60% determinado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para estados e municípios.A reportagem questionou o Paço sobre o motivo que levou ao aumento de comissionados nomeados ao longo de 2021, mas não houve resposta. Por nota, a prefeitura respondeu apenas que a LC 335/2021 modificou a estrutura administrativa municipal e criou 1.536 cargos comissionados.No estado, 81,8% dos 7.079 postos são ocupadosNa gestão estadual, o aumento na quantidade de servidores desta natureza nomeados foi gradual ao longo dos últimos três anos, que correspondem ao mandato de Ronaldo Caiado (DEM). De acordo com dados do portal da transparência do governo, em janeiro de 2019, o estado tinha 6.170 comissionados. O número caiu para 3.799 em fevereiro daquele ano, como consequência da alteração dos titulares das pastas, segundo informado pela Secretaria da Administração (Sead).O número voltou a subir nos meses seguintes. O estado terminou o ano de 2019 com 5.202 comissionados nomeados. Em dezembro de 2021, eram 5.793 (corresponde a 81,8% dos 7.079 postos existentes).Em nota, a Sead ressalta que no primeiro semestre de 2019 o governo aprovou reforma administrativa no Executivo. De acordo com a pasta, essa mudança diminui em 20% o custo operacional da máquina pública estadual, o que representa economia até o fim de 2022 superior a R$ 440 milhões. A secretaria destacou que a reforma aglutinou tipologias de cargos e reduziu postos comissionados.Ainda segundo a Sead, em dezembro de 2018 (final da administração anterior), eram previstos em lei 8.470 cargos desta natureza. Como atualmente existem 7.079, houve redução geral de cerca de 1.300 cargos. A pasta afirmou que estes postos podem ser ocupados por efetivos, como também ocorre na Prefeitura de Goiânia. No caso do governo estadual, dos cargos em comissão, 14% são preenchidos por servidores efetivos.GestãoSegundo a secretaria, o provimento de cargos comissionados ocorre gradualmente, “de acordo com a necessidade observada nas pastas, com o objetivo de dar agilidade ao fluxo de processos internos e otimizar o atendimento aos cidadãos. Por isso, observa-se variação no número de servidores nomeados em diferentes momentos da gestão”.Em junho de 2021, em meio às discussões relacionadas à adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), o governo estadual aprovou lei na Assembleia Legislativa para criar 172 cargos comissionados.De acordo com o estado, em 2020, o gasto total com servidores representou 44,91% da RCL, em consonância com a LRF, e adequado à adesão ao RRF.-Imagem (1.2398057)