Edigar Diniz deve disputar, neste ano, a sua primeira eleição. Pré-candidato ao governo pelo Novo, o empresário do ramo de tecnologia, que atua em projetos voltados à educação, deve entrar na disputa com chapa pura, buscando um nome do Entorno do Distrito Federal para sua vice, e com discurso de que não se governa com alianças políticas. “Nosso estado está ficando pobre. Fruto de uma velha política.” Diniz é o primeiro entrevistado da série de sabatinas que o POPULAR faz com os pré-candidatos ao governo. Veja os principais trechos da entrevista.

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Esta deve ser a primeira eleição do sr. Por que o interesse em entrar na política?

Sou um empresário, pai de família, que era envolvido com vários projetos da igreja, mas que sou filho da dor e da indignação. Sou de uma das 26 mil famílias de goianos que perdeu alguém importante na pandemia e, depois, ainda é obrigado a passar por uma crise econômica severa, em que as pessoas estão sendo penalizadas de uma forma muito dura. Estive com pais de família que não compram achocolatado para os filhos há seis meses, estive com goianos que não comem carne vermelha há 11 meses. Então, existe uma dificuldade extrema. As pessoas não conseguem comprar gás e se alimentar. Nosso estado está ficando pobre, fruto de uma velha política, que usa o estado como objeto de poder e não olha para o povo. O Novo é um partido que quer mudar isso, acabar com privilégios.

 

Quais privilégios?

Não queremos um governador que está lá para ser servido, mas para servir. A gente não quer saber de morar no Palácio (das Esmeraldas). Não vivemos mais em tempo de faraó, de coronel. Eu vou morar na minha casa, com meus vizinhos e continuar comendo à minha mesa. Temos que acabar com esse coronelismo e criar uma “mesa de esperança”. As pessoas não acreditam mais na política, de que pode haver uma mudança. O privilégio rouba da gente o direito à igualdade. Se tenho privilégio, isso significa que estou sendo tratado diferente de você, e isso não é justo. Não podemos fingir que está tudo bem, quando não está.

 

A falta de experiência administrativa no serviço público e o desconhecimento por parte da população podem ser uma barreira na eleição?

Vejo isso como pontos positivos, na verdade. Primeiro, dou graças a Deus por não ter experiência nessa velha política; quero trazer uma experiência nova, inclusive para as pessoas que estão lá. (Ter) uma nova relação com os servidores públicos. Quero trazer o que as melhores cabeças fazem de gestão nas melhores áreas. Se não houver um plano de gestão, não há transformação. Sobre ser desconhecido, existe atualmente uma nova ordem de comunicação. Há a capacidade de as pessoas se comunicarem pelas redes sociais, pelo WhatsApp. Ao mesmo tempo em que as pessoas estão desiludidas e (que existem) muitas fake news, existe um povo que está mudando a consciência. É um povo que acabou de passar por uma pandemia, e que está passando por uma crise econômica terrível. O goiano ganha, hoje, 15% menos que a média do Brasil. Somos agricultores de terra seca. A gente acorda cedo, prepara a terra, mas como ela está seca, não se consegue colher e se alimentar. Então, o povo não está mais alheio. Quando o goiano perceber nossa verdade, vai querer partilhar, entrar na briga. A política mudou. Zema (governador de Minas) era desconhecido como eu e terminou com uma votação absurda, porque o povo mineiro percebeu que não ia mudar com a velha política.

 

Em entrevista ao POPULAR, em fevereiro, o sr. disse que seu objetivo é apresentar um projeto que tenha foco em geração de emprego e renda. Que avaliação o sr. faz da política de incentivos fiscais em Goiás?

Elas não têm sido assertivas. Não resolveram o problema. O que foi feito de incentivo fiscal foi para um grupo seleto, pessoas que estão ganhando dinheiro já há muito tempo. Nossos impostos são muito altos. Por que o industrial fica desesperado pelo incentivo? Porque Goiás é o estado mais caro para se produzir industrialmente. Nós somos grandes produtores de grão. Se Goiás fosse um estado adequado, com impostos no nível que precisa, as esmagadoras de grão teriam vindo para cá, mas foram para outros estados. A Nestlé acabou de montar uma indústria para produzir ração pet, que é feita com milho esmagado. De cada R$ 1 do milho esmagado, só R$ 0,07 fica com quem plantou; os outros R$ 0,93 ficam com o estado que recebeu a indústria. A fábrica da Nestlé foi para Santa Catarina, que tem (quase) a mesma quantidade de habitantes de Goiás e é um estado pequeno, que não tem agro. Goiás fica com os R$ 0,07; Santa Catarina, com os R$ 0,93. A economia deles é 83% maior que a nossa. Em 2019, a indústria representava 29% do nosso PIB; hoje, 21%. Ou seja, a indústria está morrendo. O agro é poderoso, mas não consegue segurar o estado sozinho. É por isso que estamos ficando pobres. E (a solução) não passa por dar incentivos a um grupo, mas por criar um ecossistema justo e que outras indústrias venham. Precisa ser um imposto muito mais baixo. E como fazer isso? Reduzindo a máquina pública, dando eficiência. Como se tem uma máquina pública eficiente, se há a entrega das secretarias a partidos? Nós vamos contratar uma empresa de RH para contratar os melhores nomes para cada área. Assim, teremos um estado eficiente, que pode reduzir imposto. O povo goiano tem de entender que é preciso falar não para essa velha política de uma vez por todas.

 

O sr. também fala sobre investimentos em educação. Como isso deve se dar?

Estive com professores da rede estadual que falam de alunos que param de ir à aula por estarem anêmicos depois de passar fome na pandemia. É um professor que tem que dar aula, mas cujo papel acaba sendo o de ir atrás de um aluno para tentar ajudar a família. É uma batalha terrível que os professores têm enfrentado. Nossa proposta é tratar o professor de forma completamente diferente. Mas o mais importante é começar na base, para não deixar um goiano ficar fora de uma creche. Hoje, só 26% dos goianos estão numa creche. O resultado: há crianças de famílias mais pobres que, quando vão ser alfabetizadas, não conseguem segurar um lápis. Nossa proposta é que todo goiano, quando nascer, tenha vaga numa creche, que será um preparatório à vida educacional dele. O segundo princípio é criar oportunidades para os nossos jovens. Dá para fazer, mas tem que ter visão do que o mercado precisa.

 

Uma das principais bandeiras do Novo trata das privatizações. Em Goiás, a Celg D foi privatizada em 2017 e a Enel, empresa que assumiu o serviço, aparece no ranking das piores concessionárias do País e pretende vender a empresa no estado. Esse cenário não contradiz o discurso de que privatizar dá segurança de melhoria nos serviços públicos?

A culpa desse processo nosso não é da privatização, mas da forma como foi feita. Os pilares da privatização são garantir a redução do custo, investimentos e a concorrência. Nada disso foi garantido. Foi feito um negócio quase que em desespero. O problema de infraestrutura de energia em Goiás é histórico. Existe uma promessa de investir em rede de transmissão. São quatro anos para fazer aquilo começar a acontecer. Vamos esperar quatro anos para convidar uma indústria? Quando ela vir, demora mais três anos para montar. Ou seja, serão sete anos o goiano esperando desesperado? É falta de visão. O Novo é a favor da privatização porque toda máquina dessa é usada para corrupção, cabide de emprego. Não tem eficiência. O Novo defendeu a privatização da Eletrobras, mas, no fim, votou contra porque a privatização perdeu os pilares e vai gerar um preço maior para o consumidor. É irreal.

 

O que pretende privatizar no estado, caso vença?

Não tenho como prometer, porque não tenho acesso a dados. Vivemos às cegas em Goiás. O Instituto Mauro Borges está com dados ultrapassados. Como se governa um estado com números de 2019? É outra realidade. Mas podem ter certeza de que não vou prometer nada que não posso cumprir. Vou lutar para entregar serviços de qualidade e resgatar um ecossistema em que as indústrias venham para cá. Imagina uma indústria no Norte goiano, que precisa, e agora tem ferrovia.