A previsão do governo de Goiás de despesa com investimentos em 2022 é menor do que o valor aplicado no ano passado. De acordo com a secretária da Economia, Cristiane Schmidt, os gastos desta natureza devem representar 11% da receita corrente líquida (RCL) deste ano. A Lei Orçamentária Anual (LOA) prevê R$ 3,6 bilhões em investimentos. Em 2021, a administração investiu, segundo a Secretaria da Economia, R$ 4,69 bilhões. Os números correspondem a recursos empenhados. Schmidt afirma que o recuo acontece porque em 2021 o estado investiu na construção de estruturas físicas de hospitais, escolas, e rodovias, por exemplo, que, segundo a secretária, têm alto valor. Em 2022, diz a titular, a despesa com essas unidades passa a ser de manutenção, que entra no custeio da máquina pública, um gasto de natureza diferente. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO) em Foco, publicado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) em fevereiro, mostrou que os investimentos em Goiás somaram R$ 4,77 bilhões em 2021. Schmidt explica que a diferença em relação aos números divulgados pela pasta é constatada por causa de ajustes nos valores, comuns, segundo ela, na elaboração deste tipo de balanço. O montante aplicado pelo estado em investimentos em 2021 representou, segundo a STN, 13,8% da receita total. Em 2020, Goiás usou 3% da receita em gastos desta natureza. No ano anterior, foram 2%. Para a STN, os investimentos são recursos aplicados em planejamento e execução de obras e aquisição de imóveis necessários à realização deste tipo de intervenção. Também entram na lista de despesa desta natureza a aquisição de instalações, equipamentos e material permanente, custeadas com recursos oriundos da alienação de ativos.Em 2021, as áreas de educação e infraestrutura receberam as maiores verbas, R$ 1,6 bilhão e R$ 1,5 bilhão, respectivamente. As áreas que receberam os menores valores foram esporte e lazer (R$ 471 mil) e comunicação (R$ 32 mil). A cultura não teve investimentos no ano passado (veja quadro). Já a LOA 2022 estima investimento de R$ 1,2 bilhão para manutenção, pavimentação e reconstrução de rodovias e outros R$ 330 milhões para a Agência Goiana de Habitação (Agehab). Também há previsão de R$ 550 milhões para a educação; na saúde, R$ 230 milhões; e na segurança pública, R$ 220 milhões.Questionada sobre como foram definidas as prioridades de investimentos, Schmidt afirmou que, assim como em anos anteriores, o destino das verbas segue o plano de governo. A auxiliar afirma que até o fim dos quatro anos de gestão “pouca coisa” não será alcançada. Schmidt destaca a pandemia e “um estado que estava desestruturado” como motivos que impedem o cumprimento total das promessas.AjusteSegundo a secretária, o trabalho próximo da Economia com as demais pastas – em especial das áreas de educação, habitação e infraestrutura, que ocorre em reuniões semanais – possibilitou o avanço de políticas públicas. O Fundo de Proteção Social do Estado de Goiás (Protege) também é acompanhado semanalmente.Schmidt atribui o aumento da capacidade do estado em realizar investimentos ao longo dos anos ao ajuste fiscal realizado durante a gestão. A secretária destaca que a primeira estratégia adotada foi a reforma da Previdência, em 2019. “Nós estaríamos gastando hoje com Previdência algo muito maior do que de fato estamos gastando. O déficit ainda é grande, R$ 6 bilhões, e crescente, mas não aumenta na mesma velocidade em que estava”, diz. Schmidt afirma que as “folgas” no orçamento proporcionadas pelo ajuste são aplicadas em investimentos e políticas públicas.De acordo com a STN, Goiás foi a 5ª unidade da federação que mais realizou investimentos em 2021. O estado ocupa a posição ao lado do Piauí que também usou 13,8% de sua receita total em despesa desta natureza. Alagoas foi a unidade da federação que registrou o maior porcentual de investimentos, 28,3%. O menor foi o Rio de Janeiro, com 2,5%.PagamentosSchmidt também rebate críticas relacionadas à renegociação de dívidas que o estado tem realizado, estratégia que parcelou valores em até 30 anos. “Qual foi o empréstimo tomado por qualquer governador do Brasil, qualquer presidente da República e qualquer prefeito, que não deixou essa dívida para o futuro? Esse é o primeiro ponto que eu coloco. Não tem como não deixar. Mesmo que nós tomássemos um empréstimo, coisa que não fizemos, obviamente é para pagar no futuro. É óbvio. O que o estado fez foi renegociar as dívidas em condições melhores. Os governos anteriores não se preocuparam com isso”, afirmou. O POPULAR mostrou que o Banco Mundial aprovou empréstimo de US$ 500 milhões para o estado de Goiás no final de abril. A permissão para a tratativa ocorreu no contexto de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), para quitar outro empréstimo realizado em 2013, no programa Banco do Brasil Estruturante. O financiamento tem contrapartidas que devem beneficiar o agronegócio e o meio ambiente.De acordo com Schmidt, a operação é uma portabilidade. “Não tomamos crédito do Banco Mundial para fazer investimento, mas para pagar a dívida com o Banco do Brasil. A condição é melhor. Não estou tomando empréstimo novo para fazer investimento. E só fizemos essa operação porque estamos dentro do RRF”, afirmou a secretária.DestinoDados da Secretaria da Economia mostram que, na Educação, o estado usou R$ 188 milhões em 2021 na compra de computador portátil para alunos do Ensino Médio da rede pública. Segundo a pasta, também foram aplicados R$ 106 milhões na construção de cinco escolas no interior do estado.Na infraestrutura, a Economia informou que foram realizados recapeamentos, reciclagem, revestimento primário contínuo e terraplenagem em 3,4 mil quilômetros de malha viária e foram construídas cerca de 40 pontes de concreto armado. A secretaria também destacou o investimento de R$ 80 milhões em ações de emergenciais por causa das fortes chuvas que atingiram o Nordeste goiano no final de 2021. A saúde ficou em 3º lugar no ranking, com R$ 500 milhões em investimentos. O dinheiro foi aplicado, segundo o estado, na inauguração de duas policlínicas, em Goianésia e em Quirinópolis, na inauguração do Hospital de Uruaçu e na compra do Hospital do Servidor, que foi transformado em Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), entre outras ações. A unidade pertencia ao Instituto de Assistência dos Servidores Públicos de Goiás (Ipasgo) e a venda da estrutura ao estado por R$ 128 milhões foi cercada de protesto por parte de entidades que representam os funcionários públicos.-Imagem (1.2455616)