Brincalhão, comunicativo, ativo e alguém que gostava das pessoas. É assim que Leila Maria Vilela define o irmão, Maguito. Caçula de sete irmãos, Leila Maria diz que Maguito, o mais novo dos homens, era diferente dos demais e que todos eram “muito apegados” a ele. Ela classifica a perda como “uma tristeza para a família”. O prefeito eleito morreu ontem em decorrência de complicações da Covid-19, após passar 84 dias internado.Leila Maria recebeu o POPULAR na residência dela, em Jataí, município onde a família se estabeleceu. Logo na chegada, ela aponta um quadro na parede, feito em 1988. Trata-se da pintura de uma moradia antiga. “Era a casa que tinha na fazenda do meu pai. Maguito adorava este quadro e dizia que um dia ia roubar ele de mim”, afirma, com o olhar fixo na tela afixada sobre um sofá de dois lugares.A casa da Fazenda Mateiro, herança do pai Joaquim de Moraes Vilela, ainda está lá. “Mas um pouco modificada”, conta ela. “A fazenda foi dividida para os irmãos e ele (Maguito) gostava demais da (fazenda). Reunia os irmãos e sobrinhos durante os domingos. Gostava muito de jogar caixeta e canastra. Tinha a turma da canastra, dos companheiros antigos que ficavam lá, jogavam até meia-noite, uma hora da manhã. A gente se reunia lá para assar carne e jogar.”Ela fala com serenidade, mas sem esconder a tristeza pelas perdas recentes da família. Maguito é o terceiro irmão falecido devido à Covid-19. Em agosto de 2020, com intervalo de pouco mais de uma semana, outras duas irmãs, Nelma Vilela Veloso, de 76 anos, e Nelita Vilela, de 82, morreram por complicações geradas pelo vírus.Nelita era a mais velha dos sete irmãos e foi casada com Antonio Soares Neto, o Toniquinho de Jataí, falecido em novembro de 2019. Toniquinho ficou conhecido por perguntar ao então candidato à Presidência da República Juscelino Kubitschek, em um comício em Jataí, em abril 1955, se ele “construiria a capital do Brasil no Planalto Central.”Leila Maria narra que o momento é de dificuldade para a família. “Estamos arrasados. Todos os meus irmãos são do grupo de risco. Um dos meus irmãos (Nélio) tem câncer e acho que nem vem para o velório. Tenho uma irmã que também tem um problema pulmonar. Estamos tristes. Está difícil pra gente, porque a perda foi muito grande. Três irmãos.”SOLIDARIEDADEEla conta que a mãe, Nazime Moraes Vilela, gostava de contar uma história sobre quando Maguito era criança: “Um dia, estava fazendo muito frio. Minha mãe costurava em casa e fez uma blusa para ele, uma blusa xadrez, e vestiu nele para ir à escola, mas a blusa não voltou. Minha mãe perguntou: ‘Luiz, cadê sua blusa, que eu fiz ontem pra você ir pra escola? Tá muito frio. Você tirou a blusa?’. E ele respondeu: ‘Mãe, tinha um coleguinha muito pobrezinho e ele não tinha blusa de frio. Eu tirei e dei pra ele.’ Então, toda a vida, desde criancinha, ele gostava de ajudar as pessoas. Ela contava essas histórias”.Para Leila Maria, esse traço de gostar das pessoas, somado ao fato de ser comunicativo, foi o que o levou para a política. “(Ele) sempre gostou de reunir amigos. Toda vida sempre foi muito comunicativo. Levou uma vida muito ativa. Gostava muito de futebol e participava dos jogos. Na época, era muito magrinho e este apelido de Maguito era por isso. Porque falavam ‘põe o magrinho, põe o magrinho’. Aí colocaram este nome.”Nesse momento, olha para baixo e diz: “Vai ser difícil”.