“Temos um estado que está doente e o governador não faz nada”. A fala é de Gustavo Mendanha (Patriota), segundo entrevistado da série de sabatinas do POPULAR com pré-candidatos ao governo. Na conversa, ele reforça críticas ao governador Ronaldo Caiado (UB), fala sobre possibilidade de alianças e defende o presidente Jair Bolsonaro (PL).

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O sr. foi reeleito prefeito de Aparecida de Goiânia, em 2020, com mais de 95% dos votos e fazendo parte da maior coligação para o cargo no País. Dado esse histórico, esperava chegar nesta altura da pré-campanha com mais apoios políticos?

Vejo com naturalidade. Nós temos até o dia 5 de agosto para buscar as alianças que são possíveis, e fico muito feliz de, depois de pouco mais de 14 anos de vida pública, poder estar à disposição como pré-candidato a governador de Goiás.

 

O sr. esgotou todas as possibilidades buscando ser apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), mas acabou preterido pelo deputado federal Vitor Hugo (PL). Desde o início, as chances pareciam ser pequenas e o sr. tinha a possibilidade de ter apoio pelo menos parcial da centro-esquerda. Por que insistir no apoio a Bolsonaro?

Alinhamento. Conversei com os líderes que me acompanham, com a minha família, e, depois de sentir que esse realmente era o caminho a seguir, fui até o presidente. Vale dizer que a minha história com o PL, de conversa com o presidente Valdemar (da Costa Neto), se inicia antes da filiação do presidente Bolsonaro, e nós nunca deixamos de conversar. Quando fui até o partido, fui convidado pelo presidente Valdemar, com anuência do presidente Bolsonaro, que até sinalizou para que realmente eu fosse aqui o candidato do partido. Depois, enfim, até pela relação que ele tem com o major (Vitor Hugo), o PL decidiu pela candidatura do major, o que encarei com muita tranquilidade. E eu não seria incoerente, depois de ir ao presidente e dizer que estaria com ele, mudar a minha posição por conta do PL ter ou não a candidatura. Por isso, mantive o meu voto. O apoio formal vai depender de algumas questões jurídicas, até porque o meu partido, em nível nacional, está neutro.

 

Aliados seus no PL acreditam na desidratação de Vitor Hugo, o que poderia levar Bolsonaro a declarar apoio ao sr. Acredita nessa possibilidade?

Vitor Hugo não é meu adversário. Eu só tenho um adversário nessas eleições, que é o atual governador. Agora, estou aberto ao diálogo, se o PL entender de buscar aliança. Tenho relação extraordinária com muitos nomes do PL que, até as convenções, têm participado de alguns atos (em favor dele). A partir das convenções, caso não haja aliança, isso não será possível, mas aqui o meu respeito ao major. Respeito a decisão que o PL tomou de lançá-lo. Então, estou aberto a conversar. Se isso não for possível, que a gente entenda que o nosso adversário é aquele que trabalhou contra o presidente e contra o povo goiano.

 

Recentemente, um dos escândalos do governo federal envolveu evangélicos goianos. O sr., inclusive, já esteve com o pastor Gilmar Santos, um dos suspeitos de encabeçar o esquema de venda de favorecimentos no Ministério da Educação. Que avaliação faz do ocorrido?

Eu conheço o pastor Gilmar Santos desde garoto. Tem toda uma trajetória e um legado e nunca vi nenhuma postura sua que pudesse denegri-lo. A Justiça, se ele tiver culpa, vai condená-lo. Contra fatos não há argumentos. Agora, do que eu já li a respeito, é que aquela outra figura (pastor Arilton Moura, assessor de Gilmar), que eu desconheço, é quem estava fazendo essas ações. Até que prove o contrário, eu conheço Gilmar, e acredito na inocência dele.

 

Como avalia o indulto presidencial dado ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ)?

Acho que o presidente, depois daquela tomada de decisão (condenação do deputado pelo STF a 8 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por ataques antidemocráticos), tomou uma posição. Eu não diria que eu faria isso, mas acredito que ele tomou uma decisão importante para mostrar que as leis têm que ser respeitadas. O STF tem, em vários momentos, entrado em esferas que não são dele.

 

Em um cenário polarizado, acredita que seu apoio a Bolsonaro trouxe mais ganhos ou prejuízos junto ao eleitorado?

Eleição nacional é nacional. As pessoas não vão mudar o voto por questão de um candidato a governador apoiar um presidente. O que não podemos deixar é que a eleição nacional suplante as discussões e, principalmente, os problemas que enfrentamos em Goiás: a falta de investimento em infraestrutura, a terceira pior energia do País, a questão fiscal. Em 2018, ocupávamos a quinta posição em solidez fiscal; hoje, ocupamos a 22ª. Goiás deixou de pagar uma dívida de R$ 5 bilhões (o valor renegociado pelo governo junto à União, referente a dívidas não pagas, foi de R$ 3,61 bilhões) e não investiu na infraestrutura, na saúde, na educação. Temos um estado que está doente e o governador não faz nada. O governo precisa ser ativo. Precisamos gerar esperança, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e o que temos é um governo que realmente está parado, que é analógico, atrasado e que falta com a verdade a todo tempo.

 

Após a filiação do presidente da Fieg, Sandro Mabel, ao Republicanos, ele começou a ser visto como pré-candidato a sua vice. Essa possibilidade existe?

Sandro é uma figura importante para Goiás, não só por ser presidente da Fieg. Foi deputado federal, sempre colaborou com o desenvolvimento do estado, e poderia disputar não só como vice, mas como governador, senador. Me alegraria muito ter uma figura como Sandro como vice. Acho que é algo possível. Eu não sei se, de fato, ele se coloca à disposição para isso, mas é uma figura importante.

 

O sr. tem sido constantemente ligado ao ex-governador Marconi Perillo (PSDB).

Qual a sua posição em relação a ele?

Tenho muito respeito pelo ex-governador. Ele fez, nos seus governos, algumas ações que foram importantes, como a Bolsa Universitária, e programas sociais que ele manteve. Aliás, um governador inteligente terá que dar continuidade àquilo que funciona. Foi o caso de um programa que Maguito (Vilela) criou, da cesta básica, do pão e leite, e que ele (Marconi) modernizou com o Renda Cidadã. Teve várias ações que foram importantes, mas teve, claro, os seus erros. Agora, eu nunca estive do lado do (ex-)governador politicamente. Eu nunca votei nele e, neste momento, temos um distanciamento por conta da minha posição nacional (pró-Bolsonaro) e, claro, pela posição do nosso presidente (Jorcelino) Braga. Talvez, neste momento, seja muito difícil a aliança. Temos um distanciamento notável.

 

E no segundo turno?

O próprio Braga já se manifestou. Além disso, há pesquisas qualitativas (que mostram) que essa união, num primeiro momento, seria difícil. Num segundo momento, acho que a maioria, ou todos, vão se manifestar contra, até porque todos nós que estamos no projeto, temos o entendimento de que não podemos mais aceitar a forma de governança que temos hoje. Eu não tenho dúvida que o povo vai se manifestar contrário, rejeitando este modelo, rejeitando a forma que foi tratado. Precisamos devolver o sorriso ao povo goiano, e é isso que vamos fazer.

 

Qual será seu mote de campanha?

O desenvolvimento econômico. Precisamos fazer o estado voltar a ter prosperidade, seja com as grandes empresas, com o micro, com o MEI, os produtores rurais. Precisamos assistir as pessoas. Não temos o básico. Vivemos a indústria 4.0, a era digital, e temos um estado atrasado. A gente precisa pensar formas de potencializar a indústria, trazer agroindústrias, pensar a vocação de cada região a fim de gerar desenvolvimento. Quem aqui não conhece, ou viveu, a história de ver o filho deixar sua cidade por falta de oportunidade? Estamos perdendo muitas oportunidades. Precisamos sentir a dor das pessoas e buscar solucionar esses problemas.