O balanço parcial das candidaturas já mostra que Goiás terá, na eleição deste ano, o maior número de postulantes a deputado federal desde 1994. Até o início da noite deste domingo (14), 293 nomes de 25 partidos haviam se registrado à disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, fazendo a quantidade de candidatos por vaga chegar a 17,2 — o estado tem 17 vagas na Casa.O prazo de registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) termina nesta segunda-feira (15), logo essa quantidade ainda pode aumentar.Em 2018, foram 229 registros para este cargo, levando em conta o total de solicitações feitas ao tribunal, isto é, o levantamento desconsidera se a Justiça Eleitoral aceitou ou não a candidatura do solicitante.Isso foi feito para tornar possível a comparação com os dados deste ano, visto que os julgamentos por parte do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) ainda não começaram. Em 2018, 33 candidatos a deputado federal não chegaram às urnas, seja porque tiveram seus registros indeferidos (19), porque renunciaram (19) ou porque não houve conhecimento do pedido. Apenas um se enquadra neste caso.Há quatro anos, a quantidade de candidatos por vaga era de 13,5; em 2014, 10,3. (veja quadro ao lado) Mesmo que o número de postulantes por vaga tenha aumentado desde 2006 respeitando a certo padrão, neste ano o aumento é o maior da série considerando-se a proporção ao total de candidaturas.Até o momento, 958 pessoas (620 homens e 338 mulheres) se registraram como candidatas no TSE, fazendo com que aproximadamente 30,6% sejam a deputado federal. A proporção média entre 1994 e 2018 foi de 18,5% (ficando sempre entre 16,6% e 20%). Neste ano, portanto, a proporção de candidatos a deputado federal ultrapassa os anos anteriores em mais de 12 pontos porcentuais.Fim das coligaçõesPara o cientista político Robert Bonifácio, esse aumento pode ser explicado principalmente pelo fim das coligações proporcionais. Em 2022, pela primeira vez, os partidos não podem se coligar para formar as chapas de deputados federal e estadual, como era feito anteriormente, o que obrigou cada um dos partidos a formar suas próprias chapas.“Tirando as duas federações que existem”, relata Bonifácio em referência às federações formadas por PSDB e Cidadania, e PT, PCdoB e PV, “fica mais difícil eleger deputados federais, o que gera uma extensa lista de candidaturas para dar suporte às principais. Temos poucos candidatos competitivos por partido, o que gera listas extensas para aumentar a chance de atingir o quociente eleitoral.”Em 2018, o quociente eleitoral em Goiás foi de quase 180 mil votos, isto é, foi este o quantitativo de votos que a soma de todos os candidatos de cada chapa precisou alcançar para conquistar uma das 17 cadeiras na Câmara dos Deputados. Quando a chapa alcança o quociente, o candidato com mais votos entre todos é eleito.“Antigamente”, continua o cientista político, “um partido entrava em coligações extensas, colocava poucos candidatos e, como a distribuição de cadeiras é entre os mais votados, para quem tinha maior chance de votos, o sistema era benéfico. Agora não.”No pleito de quatro anos atrás, os 229 postulantes a uma cadeira na Câmara dos Deputados se dividiram em sete coligações envolvendo 28 partidos, que abarcaram chapas de 22 a 28 candidatos cada. Outras cinco legendas lançaram chapas isoladas contendo de um a 25 nomes em 2018. Ao todo, foram 12 chapas. Neste ano, até o momento, são 25 chapas que têm de um a 18 candidatos, o máximo permitido.Completam a lista de candidatos em Goiás, no balanço parcial dos dados do TSE: oito postulantes a governador, dez ao Senado e 624 a deputado estadual.Dados parciais mostram queda na disputa pela AlegoO fim das coligações pode afetar também a quantidade de candidatos a deputado estadual em Goiás. Os dados parciais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as candidaturas no estado para este ano mostram que a quantidade de postulantes por vaga era, até o início da noite de domingo (14), o menor desde 2006.Até o fechamento desta edição, havia registro de 624 candidatos às 41 cadeiras da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), apontando para 15,2 postulantes por vaga. Em 2006 foram 11,7 e, desde então, o número sempre superou os 15,7 — no pleito de 2018 foram 22,1, e em 2014, 20,6.Para o cientista político Robert Bonifácio, a tendência de redução do número até o momento pode ser explicada pelo fim das coligações, uma vez que os candidatos a deputado estadual passam a não ser privilegiados na distribuição de recursos de campanha por parte das legendas políticas. “O foco para distribuição do dinheiro passa a ser os candidatos a deputado federal. Aos (candidatos a) deputados estaduais, dá-se o mínimo, porque não agrega nacionalmente.”A fala faz referência ao fato de que a principal disputa nos partidos foi para formação das chapas de deputados federais. Esse forte interesse na eleição para a Câmara dos Deputados ocorre porque passa pelo número de cadeiras conquistadas na Casa, por exemplo, a quantidade de recursos públicos a que uma legenda terá acesso, como os fundos partidário e eleitoral, além de tempo de rádio e TV.Soma-se a isso o fato de que o quociente eleitoral para se eleger um deputado federal é alto. Em 2018, o quociente foi de aproximadamente 180 mil votos, quantidade alcançada por apenas um candidato há quatro anos: Delegado Waldir (UB) teve 274,4 mil votos naquele ano e vai disputar cadeira no Senado em 2022.VantagemNeste cenário, segundo explica o cientista político, os deputados estaduais com mandato e que vão disputar a reeleição — 26 dos 41 já registraram candidatura — acabam tendo vantagem sobre os demais candidatos. “Com os partidos não priorizando essa disputa, quem tem mandato tende a se fortalecer, porque dispõe, por exemplo, de emendas parlamentares.”Como o POPULAR já mostrou, os deputados estaduais têm direito a aproximadamente R$ 387 milhões em emendas neste ano, das quais mais de R$ 110 milhões são de recursos que podem ser transferidos diretamente aos prefeitos ou entidades de suas bases eleitorais e que podem ser aplicados em quase qualquer finalidade, e sem fiscalização prévia.Isso ocorreu porque os parlamentares criaram, em junho, a modalidade de emendas chamada de transferências especiais, comumente chamada de “pix orçamentário.”“É claro que pode ter casos de novas lideranças que surgem”, analisa Bonifácio, “mas, olhando para o geral, é uma eleição muito favorável para quem tem mandato.”Leia também:- Veja o patrimônio de todos os candidatos ao Senado em Goiás- Filho, mãe e pai compõem chapa majoritária do PCO em Goiás- Prazo para pedir voto em trânsito termina na próxima quinta-feira-Imagem (1.2510002)