O texto original do projeto de socorro financeiro aos governos estaduais estabelece crédito equivalente a 3% da receita do Estado por ano, o que, no caso de Goiás, representa cerca de R$ 780 milhões anuais. A informação é do auxiliar da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) Itanielson Cruz, que esteve ontem em Goiânia como representante do secretário Mansueto Almeida em evento da Secretaria da Economia, com a presença do governador Ronaldo Caiado (DEM).Itanielson é coordenador-geral das Relações e Análise Financeira dos Estados e Municípios da STN e acompanhou de perto a elaboração do projeto, que ele chamou de Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal - e vem sendo intitulado de PEF ou de Plano Mansueto. Ele confirmou a previsão de envio do projeto hoje ao Congresso, conforme disse o governador em discurso durante o evento, o Seminário “O Papel dos Três Poderes para solucionar a calamidade fiscal em Goiás e assegurar o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, realizado no auditório Mauro Borges, no Palácio Pedro Ludovico Teixeira.O POPULAR mostrou ontem que Caiado afirmou que pretende articular um aumento do valor, comentando a possibilidade de cada Estado ter menos de R$ 1 bilhão por ano. Até então havia apenas a informação dada por Mansueto de que o plano abrirá crédito de R$ 40 bilhões a 11 Estados mais o Distrito Federal em quatro anos.Diante do valor destinado a Goiás ainda menor, conforme o representante da STN, a secretária estadual da Economia, Cristiane Schmidt, disse que a tentativa será de que as tranches (parcelas anuais de autorização de empréstimo) não sejam lineares. Ou seja, o Estado tentará receber este ano um valor maior e nos anos seguintes menores, dentro da margem de R$ 3,13 bilhões que caberiam a Goiás até 2022.Itanielson explicou alguns termos do PEF, que vai exigir medidas em favor de melhorias em dois aspectos no prazo de até quatro anos: poupança corrente (relação entre despesa corrente e receita corrente) e liquidez (relação entre obrigações financeiras e disponibilidade de caixa). A exigência é de sobra de 5% na poupança corrente para aplicação em investimentos e restos a pagar.O representante do Tesouro afirmou que despesas com pessoal são o maior gargalo dos Estados e que os governadores precisam adotar providências em relação a reformas administrativas e revisão de política salarial. Ele apresentou dados que mostram que Goiás teve salto de 27% no crescimento real de despesas com pessoal de 2011 a 2017, praticamente o mesmo porcentual da média nacional. Ele também defendeu a revisão de incentivos fiscais como medidas que serão exigidas dos Estados na busca por equilíbrio fiscal.Café com BolsonaroPela manhã, Caiado falou em tom de desabafo manifestando insatisfação ao sair de café da manhã dos governadores com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), em Brasília. Ele criticou a não apresentação do PEF e a falta de previsão de envio ao Congresso. “Isso (a falta de apresentação) causou em todos nós um constrangimento. Nós fizemos a tarefa de casa, atendendo tudo aquilo que o governo federal solicitou, na esperança de que tivéssemos rapidamente esse crédito que é fundamental para a sobrevivência dos Estados. Realmente frustrou a todos nós”, afirmou.Bolsonaro chegou bem cedo, fez um discurso genérico e foi o primeiro a deixar a reunião, com um compromisso de via gem, sem abordar o PEF.À tarde, no evento da Secretaria da Economia, Caiado disse ter recebido confirmação de que o projeto será encaminhado à Câmara hoje. “Sou otimista. Acredito em uma grande virada”, disse em relação às dificuldades financeiras.Os governadores apresentaram aos presidentes da República, da Câmara e do Senado, uma carta com seis itens de reivindicações, sendo o PEF o primeiro da lista. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, se comprometeu a avaliar cada um dos pedidos com as áreas técnicas responsáveis e dar uma resposta em uma semana. Caiado disse que, apesar da lista com seis demandas, é preciso providenciar mais rapidamente aquilo que pode ajudar os Estados de forma emergencial. “Temos de ser bem seletivos. Senão vamos ampliar demais o debate e não atingir os objetivos, a começar pelo socorro imediato”, afirmou.O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, responsável pela elaboração do PEF, seria palestrante no evento de ontem em Goiânia, mas enviou representante alegando problema de saúde. Segundo a secretária de Economia, ele se comprometeu a vir a Goiânia nos próximos dias.