Pré-candidato ao governo pelo PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Vitor Hugo nega qualquer possibilidade de compor com o governador Ronaldo Caiado (UB) ou com o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (Patriota). Ao POPULAR, ele diz ter interesse em assumir o PL no estado e faz críticas à atual gestão.

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O sr. se filiou ao PL em meio a muitas articulações da direção estadual para levar o apoio do partido a Gustavo Mendanha. Agora, o presidente Flávio Canedo diz que entregou o comando da sigla no estado e fez várias críticas ao sr. Disse, por exemplo, que o sr. afirmou que “só pode ser candidato, se for presidente.” O sr. agiu efetivamente para assumir a presidência do partido em Goiás?

Fiz questão, a todo o momento, de interagir com a presidência estadual do partido, e os levei ao presidente Bolsonaro para que a decisão fosse tomada de maneira conjunta. Foi uma reunião da qual participou o nosso pré-candidato ao Senado, Wilder Morais, o senador Vanderlan (Cardoso, do PSD), que nos apoia, Gustavo Gayer, mas também participaram Flávio Canedo, Magda Moffato e Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL. Naquela ocasião, o presidente Bolsonaro tomou a decisão de que eu e Wilder seríamos a chapa dele aqui em Goiás, tanto ao governo quanto ao Senado. Então, nada foi feito de maneira escondida. Na reunião com o presidente, eles apresentaram seus argumentos, que foram todos combatidos, e até desmontados pelo próprio presidente, que nos apoia. Eu torço para que a gente avance e para que haja unidade no PL. É uma sinalização muito ruim que o partido do presidente da República, que decidiu apoiar um pré-candidato ao governo e um pré-candidato ao Senado, continue tendo disputas internas. Meu esforço total hoje é para que a gente consiga a pacificação. É um momento de acomodação por parte do Flávio, inclusive, psicológica porque ele queria impor uma direção que não foi aceita.

 

O sr. vai assumir a presidência do PL?

Não sei. Essa é uma definição que vai caber ao presidente Bolsonaro, ao presidente Valdemar. Estou à disposição. Acho que é natural que o candidato majoritário tenha o comando da sigla para que os meios do partido sejam direcionados a todos. A minha intenção é que todos os pré-candidatos a deputado federal e estadual tenham tratamento igual; tenham acesso ao diretório, às comissões provisórias e aos recursos, que vão tanto de (tempo de) TV e rádio quanto aos recursos financeiros do partido, para que possam alavancar suas pré-candidaturas. Para isso, é necessário que alguém que esteja na chapa majoritária (tenha o comando).

 

O sr. acha que, da forma como está hoje, pode haver direcionamento de mais recursos à deputada Magda Moffato?

Era natural, antes de o PL ter um projeto majoritário, que houvesse um direcionamento, pelo fato de Flávio ser marido da Magda e eles terem o comando. Era natural, nada ilícito ou antiético. Mas é nossa intenção eleger o máximo possível de deputados federais para reforçar a base do futuro segundo governo do presidente Bolsonaro. Para isso, é preciso não ter foco somente em uma pré-candidatura.

 

Flávio Canedo também insinuou, em entrevista à coluna Giro, que sua pré-candidatura seria, em algum nível, acertada com o governador Ronaldo Caiado (UB) a fim de tirar votos de Gustavo Mendanha (Patriota)

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Já respondi a isso quando postei vídeo do governador, com dedo em riste, numa postura que, na minha opinião, não condiz com aquela de alguém que está à frente do governo do Estado (Referência a vídeo em que Caiado, em março de 2020, tentou dispersar ato pró-Bolsonaro na Praça Cívica, devido ao risco de contaminação pela Covid-19). Vejo a figura do governador como sendo o primeiro servidor da vontade soberana da população. Então, publicar aquela cena emblemática do governador dizendo que as pessoas teriam que cumprir suas ordens, e que ele não precisava do voto dos goianos, é uma demonstração clara de que não vou compor com Caiado de forma alguma. Minhas posições estão muito claras. Tenho feito críticas abertas ao governador. Infelizmente, se afastou do presidente da República, fechou igrejas, escolas e o comércio; prejudicou o setor produtivo; aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal sem dar transparência às consequências dessa adesão; e não privilegiou os produtores rurais, classe que ele representou no Congresso Nacional por muito tempo. Então, na minha visão, não estou atuando para prejudicar ou beneficiar nenhum outro pré-candidato. Meu interesse é montar um plano de governo que seja eficaz, e que o melhor plano de governo seja escolhido pela população.

 

Há membros do PL que acreditam que, se sua candidatura não engrenar, existe a possibilidade de o partido compor com Mendanha. É possível?

Não existe possibilidade de composição. Gustavo compôs no passado com o PT, PCdoB, PV, PDT e PSB. Gustavo é um político profissional, alguém que não tem melindre de se aproximar de alguém que acredita em pautas completamente diferentes das dele, se isso for vantajoso eleitoralmente. É totalmente diferente do grupo que nós estamos formando.

 

Políticos goianos ainda acreditam na possibilidade de o senador Vanderlan Cardoso (PSD) ser candidato ao governo neste ano. Também acredita que isso possa ocorrer?

Tenho conversado com o senador Vanderlan há pelo menos seis, sete meses sobre a nossa parceria neste projeto, e em todos os momentos Vanderlan não só manifestou apoio à nossa pré-candidatura como também a certeza de que ele não vai se candidatar. Houve duas reuniões mais emblemáticas. Uma com o presidente Bolsonaro na biblioteca do Palácio da Alvorada, quando eu e Vanderlan levamos o nome do senador Wilder para apreciação do presidente. Nessa ocasião, expressei ao presidente que achava, inclusive, que uma pré-candidatura de Vanderlan seria até mais natural do que a minha porque ele teve 1,7 milhão de votos (em 2018), e porque ele está na vida pública há mais tempo. E Vanderlan, na frente do presidente, disse que ele me apoiaria e que não seria candidato. Também expressou isso na reunião com as direções estadual e nacional do PL. De forma que eu estou muito seguro em relação a isso, e o apoio de Vanderlan é algo muito especial, e que trouxe viabilidade ainda maior ao nosso projeto.

 

O sr. fala em fazer um “revogaço” de decretos estaduais, caso seja eleito. O que deve ser revogado?

Queremos fazer um governo técnico e espelhar, em Goiás, o sucesso que o governo Bolsonaro tem tido no governo federal. E uma das coisas que o presidente tem feito é diminuir a burocracia. Então, os futuros secretários vão levantar, em suas respectivas pastas, tudo aquilo que pode ser revogado e que hoje atrapalha a vida de quem quer empreender. O setor produtivo goiano precisa ser tratado com valorização. Queremos atuar para que Goiás aproveite todo o potencial que está sendo negligenciado atualmente. Cristalina tem milhões e milhões de toneladas de quartzo. Do quartzo, pode-se extrair o silício e, do silício purificado, fazer células fotovoltaicas para a geração de energia elétrica. Se você vende pedrinha de aquário, quartzo triturado, na beira ali da mina, é R$ 250 a tonelada; se você cria uma indústria que consegue purificar o silício, você vende a R$ 250 mil a tonelada. Então, na verdade, nós estamos sentados sobre um tesouro. Por isso, mandei uma emenda de R$ 2,8 milhões para o Instituto Federal Goiano, em Cristalina, para fazer pesquisa sobre isso. Aliás, trouxemos mais de R$ 300 milhões, em três anos em meio de mandato, espalhados em 160 municípios. No ano passado, fui a 75 municípios com a intenção de divulgar o mandato parlamentar, sim, mas também de colher informações sobre as necessidades e sobre os potenciais. Falei da mineração, mas temos a possibilidade de desenvolver uma indústria de defesa em Goiás, com os projetos estratégicos que temos das Forças Armadas aqui. Alguns projetos bilionários, como o KC-390 e o Gripen, em Anápolis; a artilharia de mísseis e foguetes, em Formosa; e o Comando de Operações Especiais, onde eu servi, em Goiânia. O que o governo atual fez para atrair a indústria de defesa? Nem o Aeroporto de Cargas (de Anápolis), que tem uma pista de quase 3 km e mais de R$ 400 milhões investidos, o governo atual destravou. Queremos aproveitar o potencial de Goiás para gerar riqueza e empregos.