Com a intenção de disputar sua terceira eleição ao governo de Goiás, o professor Weslei Garcia diz que o PSOL vai garantir palanque ao ex-presidente Lula em Goiás, mas sem se aliar ao PT estadual, caso o partido concretize aliança com o PSB do ex-governador José Eliton, também pré-candidato ao governo. Último da série de sabatinas do POPULAR com os possíveis nomes na disputa pelo governo estadual, Garcia também critica o governo de Ronaldo Caiado (UB) e fala de propostas para a saúde e o setor de energia elétrica.

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Boa parte dos partidos à esquerda deve se unir em Goiás, visando as eleições deste ano, caso de PT, PCdoB, PV e PSB. O PSOL iniciou diálogo com as siglas, mas se afastou após a entrada de José Eliton no PSB. O partido não deve participar dessa “frente ampla” por esse motivo ou há outro fator?

Esses partidos, à exceção do PSB, formaram uma federação a nível nacional, assim como o PSOL com a Rede, partido com o qual já estamos num processo de construção de nomes para as pré-candidaturas proporcionais tanto para deputado federal quanto para estadual. Desde o ano passado, o PSOL mantém diálogo com o PT e com vários partidos, a nível nacional, no sentido de criar uma frente ampla de esquerda para enfrentar aquilo que vem acontecendo no país, que é a instalação de um governo genocida, facínora e fascista, que ameaça a democracia. Um governo que se omitiu diante de uma pandemia que levou à morte mais de 600 mil brasileiros e brasileiras. Um governo que fez frases de efeito, como “não sou coveiro” (Em abril de 2020, quando questionado sobre o número de mortes por Covid-19 no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que não era “coveiro”.

À época, o país registrava pouco mais de 2,5 mil mortes), diante de situações que levaram brasileiros à morte, como não incentivar o uso de máscaras nem o isolamento social, e incentivar, inclusive, (o uso de) medicação que não tinha nenhuma comprovação científica. Um governo que não quis comprar, no local e momento certos, as vacinas e que, ao contrário, ficou comprando Viagra e leite condensado. Um governo que estimula a ditadura militar, que idolatra figuras como Ustra (Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chegou a ser condenado por torturas cometidas durante a ditadura militar. (Morreu em 2015).

Um governo que ameaça as instituições democráticas, como o STF, ataca a imprensa e que, todo dia, questiona a validade das eleições. Um governo que chegou ao poder, após um golpe orquestrado pelo MDB de Michel Temer, que fez uma reforma trabalhista que teve Daniel Vilela (Presidente do MDB de Goiás e, à época, deputado federal) como relator. Um governo que fez uma reforma previdenciária que retirou o direito das trabalhadoras e dos trabalhadores desse país. Esse é o cenário que elevou o preço da gasolina, dos alimentos e que levou milhares de pessoas ao desemprego.

Então, o PSOL nacional aprovou o apoio à candidatura do ex-presidente Lula já no primeiro turno, diante da aceitação do PT dos nossos tópicos programáticos que passam por, entre outros pontos, a revogação das reformas trabalhista e previdenciária, e a taxação das grandes fortunas. Mas isso não quer dizer que vamos fazer uma coligação ou que vamos estar no governo do PT. É um apoio tático para derrotar isso que aí está, e isso quer dizer que o PSOL está livre nos estados para dialogar livremente sobre se terá ou não candidatura própria.

 

E qual a situação em Goiás?

O PSOL começou a trabalhar um programa para o estado de Goiás e, a partir dele, começamos a dialogar com alguns setores da sociedade, partidos de esquerda e progressistas. O que queremos discutir: não às OSs (Organizações Sociais) na saúde, algo que é muito caro para nós; queremos acabar com esse processo nocivo de militarização no ensino público estadual; queremos acabar com esse processo de privatizações, dentre outras situações, como a falta de transparência, especialmente na segurança pública. Ora, como vou discutir com o PSB, se programaticamente falando um dos responsáveis por tudo isso é o PSDB, nas pessoas de Marconi Perillo e José Eliton?

Não tem como. Principalmente porque o próprio ex-governador José Eliton, em uma das suas entrevistas aqui (O POPULAR e CBN Goiânia), falou que tem as convicções dele e que vai defendê-las. Então, não tem como o PSOL (estar) no mesmo palanque do ex-governador José Eliton, em nome da democracia (faz gestos em forma de aspas com as mãos), defender OSs, privatizações e outras coisas que vão de encontro com o programa que o PSOl defende. A nível estadual nós vamos, sim, ter que fazer um palanque de esquerda, um projeto progressista, para fazer o enfrentamento também ao bolsonarismo de Goiás e ao caiadismo. Caiado é o representante de Bolsonaro em Goiás.

E vai além disso. Caiado aprovou a reforma da Previdência Estadual, que elevou a alíquota de contribuição (dos servidores). Caiado mentiu para os professores, quando tirou a titularidade, não a devolveu e não pagou o piso (salarial). Caiado não quer fazer concurso público para o servidor da educação e para ninguém. Caiado é um inimigo da classe trabalhadora. Mas não é só Caiado.

 

A quem mais o sr. se refere?

Temos três pré-candidatos ao governo que se dizem bolsonaristas. (Além de Caiado) há também Vitor Hugo (deputado federal pelo PL) e Gustavo Mendanha (ex-prefeito de Aparecida de Goiânia e filiado ao Patriota). Então, a luta é muito maior; não é só contra Ronaldo Caiado. Temos que entender isso e digo ao professor Wolmir Amado (pré-candidato ao governo pelo PT), a quem tenho muito respeito e consideração, assim como tenho à professora Kátia Maria (presidente do PT goiano), que queremos caminhar com o PT no estado. Mas, quando eles falam que é preciso estar também com José Eliton para garantir palanque a Lula, não dá. Nós temos que ter coerência, vergonha na cara. E isso, nós do PSOL, vamos ter. O PSOL vai garantir palanque para o ex-presidente Lula (em Goiás).

 

Goiás ficou mais de 18 horas, em média, sem energia em 2021 e a atual gestão pressiona o governo federal a agir sobre o assunto. Caso eleito, o que pretende fazer nessa área?

É uma vergonha para Goiás a Enel nunca ter conseguido ficar entre as primeiras colocadas (em qualidade de energia) no país. O Ministério Público já tem cobrado explicações da Enel sobre o porquê não tem cumprido a sua parte, que é justamente atingir as metas. A equipe jurídica do PSOL tem estudado, de forma minuciosa, o contrato (com a Enel) para saber o que pode ser feito. A nossa vontade política é acabar com o contrato, mas os mecanismos jurídicos para isso dependem de um estudo minucioso, uma auditoria completa: o que foi feito, o que não foi feito, o que foi pago e o que não foi pago.

O desejo sempre foi pela reestatização. A política de qualquer governo de esquerda é a estatização, o fortalecimento dos serviços públicos e dos servidores públicos. A população está recebendo um serviço de péssima qualidade e pagando muito mais caro. Sentimos na pele. Eu, que sou morador de Valparaíso de Goiás, que fica na região do Entorno Sul de Brasília, estou sentindo na pele o serviço de péssima qualidade.

 

Em 2018, uma de suas principais bandeiras para a saúde era romper os contratos com as OSs e regionalizar a saúde. A atual gestão sustenta que conseguiu regionalizar a saúde. Foi suficiente ou o sr., caso eleito, deve fazer mais?

Eu queria que ele (Caiado) mostrasse (essa regionalização). Na região do Entorno (de Brasília), eu queria que ele me mostrasse quais foram os hospitais regionais. Se foi inaugurado, quais foram e quantos foram. O próprio governador, quando concedeu entrevista aqui, falou da dificuldade que as pessoas do interior do estado têm de pegar ambulâncias e vir para a região metropolitana (de Goiânia).

Então, não vi regionalização em lugar nenhum. Nós vamos ter foco na saúde preventiva e em todo um arcabouço que envolve isso, e vamos regionalizar, construir hospitais. As empresas têm que parar com essa história de isenção fiscal a todo custo. Empresa tem que pagar (imposto). Além disso, temos que cobrar essas empresas que tiverem isenções fiscais nesses anos todos, para dar uma contrapartida social. É chegar na empresa e dizer: “Olha, você se instalou no município tal, então, construa nesse município um hospital”. É uma contrapartida social.