O Sobre Rodas testou um dos últimos lançamentos da Ford para o mercado brasileiro: a sua picape média Ranger FX4 (de tração 4x4), com visual esportivo e recheada em opcionais. O motor é o 3.2 diesel turbinado Duratorq de 200 cavalos de potência, a 3.000 rpm, com 47,9 kgfm de torque a 1.750 rpm, acoplado a um câmbio automático de 6 marchas.

A nossa avaliação foi de quase 2,5 mil quilômetros, sendo 75% em rodovias, 25% em circuito urbano e apenas 5% em estradas de chão. A bordo, três passageiros adultos. Ou seja: é muito próximo do novo perfil dos compradores de picapes no Brasil. Para começar, o visual da FX4 é bonito e chama a atenção, embora esta geração da Ranger esteja há muito tempo entre nós e próxima de ser completamente renovada pela Ford.

Situada abaixo da versão Limited (a mais completa) e acima da Strom, a FX4 se destaca pela grade exclusiva, retrovisores e rodas de 18 polegadas em black piano, além das lanternas exclusivas com máscara negra. Tem também santantônio tubular, apliques nos para-lamas e eficientes faróis full LED, com projetor e revestido de máscara negra. Sem dúvida, é hoje a versão mais bonita da família Ranger.

Faltaram na versão avaliada o protetor de caçamba (com capacidade de 1 mil litros de carga) e a capota rígida, que são vendidos como acessórios e, para um carro na casa dos R$ 300 mil, deveriam ser de série. Também faz falta a chave presencial.  Por dentro o conforto é garantido, com material de qualidade. Com detalhes em preto brilhante no volante e painel, os bancos são revestidos em couro (apenas o do motorista é ajustável eletricamente) com costuras em vermelho e logotipo FX4 nos encostos frontais.

De série, a FX4 tem direção elétrica, ar-condicionado de duas zonas, quadro de instrumentos digitais (herdado do finado Fusion), sensor de estacionamento, câmera de ré e multimídia SYNC 3 com Android Auto/Apple CarPlay.

A posição de dirigir é boa e não chega a cansar em longos períodos, por conta da ergonomia e dos comandos sempre à mão (faltou apenas o ajuste de profundidade do volante). Os passageiros atrás também vão bem, mesmo sendo uma picape. Só nas viagens mais longas que não tem jeito: é cansativo ficar numa posição de quase 90 graus.

Por conta da suspensão voltada também para o transporte de cargas, a Ranger FX4 “pula” quando o motorista passa mais rápido em quebra-molas ou buracos. Mas a segurança a bordo é positiva, com airbags e os controles eletrônicos de tração e de estabilidade, que agiram várias vezes durante o nosso teste no trecho rodoviário.

A propósito: a Ford Ranger FX4 se dá muito bem na rodovia. O motor de cinco cilindros turbo diesel ronca e faz a picape ganhar velocidade. O único senão é um pequeno lag (atraso) do turbo nas acelerações, mas quando embala... As ultrapassagens são tranquilas (só não esquecer que se trata de uma picape com mais de 2 toneladas) e chegar nos 140 km/h é fácil.

O consumo médio na rodovia (maior parte de pista simples e com trânsito de moderado a intenso) foi de 10 km/l, com autonomia de quase 700 quilômetros com o tanque (de 80 litros) cheio. Em uso urbano, o consumo médio cai para a casa dos 8 km/l.

Para se adequar ao Proconve L7, a Ranger 2022 usa o Arla 32. O seu tanque é de 20 litros e dura uns 10 mil quilômetros. No nosso teste, tivemos de enchê-lo. É que, quando fica com menos de 30% da sua capacidade, o painel emite alertas constantes (e chatos) com a ameaça de que o motorista não conseguirá ligar o carro se acabar o fluído. Melhor não arriscar.

A Ford Ranger FX4 é bonita, valente e bruta. Além de dar aquela sensação de segurança e imponência aos seus ocupantes, que faz tantos consumidores optarem hoje por picapes médias para uso em cidades, não se importando com o seu porte (são 5,35 metros de extensão). Talvez não seja o melhor custo-benefício (como a versão Black 2.2) para quem vai rodar praticamente apenas no asfalto, mas certamente é a que não deixará o seu dono passar despercebido.