O último mês de maio registrou o maior número de queimadas no Cerrado das últimas duas décadas, segundo revelou na semana passada o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A informação às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado neste domingo, dia 5 de junho, é um prenúncio do que está por vir neste período de estiagem no Cerrado, bioma majoritário em Goiás. 

 Segundo o Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do Estado de Goiás (Cimehgo), houve redução superior a 60% nas chuvas nos meses de março, abril e maio últimos em comparação com o mesmo período do ano passado. Em outras palavras: a seca em Goiás começou dois meses antes do período de estiagem regular do Cerrado, que é de maio a setembro.

O que essas informações nos contam sobre o atual estágio de preservação do Cerrado, sobre as queimadas que já fazem parte da paisagem atual na região Centro-Oeste e o que nos reserva o futuro sem um freio neste processo de devastação? Para nos ajudar a refletir sobre essas questões, a convidada do Chega pra Cá nesta semana do meio ambiente é a ecologista e professora da UnB, Mercedes Bustamante. 

Referência no bioma Cerrado e uma das maiores autoridades do país em mudanças climáticas, Mercedes é bióloga, mestre em ciências agrárias e doutora em geobotânica por uma universidade da Alemanha. Desde 2018, ela integra a Academia Mundial de Ciências e em 2014 passou a fazer parte da Academia Brasileira de Ciências.