Às vésperas de completar 80 anos e disputar um quarto e último mandato, o presidente Lula mantém sua determinação de impedir o surgimento de novos líderes à esquerda, desestimular a construção de um sucessor para o pós-Lula e sacrificar o PT em favor do “projeto maior”: ele. O novo alvo de Lula é o PT do Rio Grande do Sul, que teve os governadores Olívio Dutra e Tarso Genro e fica sem candidato próprio ao governo do Estado desde 1982, primeiras eleições diretas para governador após 1965. Lula quis e o partido foi obrigado a engolir o nome, ou melhor, o sobrenome da ex-deputada Juliana Brizola, do PDT. A pressão “de cima”, assumida pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi insuportável, como aconteceu ao longo das eleições, por exemplo, no Rio, em Minas, em Pernambuco e no Maranhão, onde o PT, depois de ceder a primeira vez, nunca mais se recuperou e está na dependência de aliados - não mais só da esquerda.