Os Bolsonaro atacaram, Lula tentou defender e perdeu. Trump ganhou a guerra. A palavra de ordem na crise das tarifas entre Brasil e EUA é negociação, mas isso depende de algo básico: combinar com os adversários. Não há conversa se um dos lados fecha portas e ouvidos e esse é o caso de Donald Trump e Marco Rubio, que não estavam e não estão dispostos a conversar governo a governo. Quando um não quer, dois não brigam. Quando um não quer, ninguém negocia. O presidente Lula não passa ileso de críticas, desde que, apesar da "química" com Trump, insistiu em dar caneladas no presidente americano. Uma ou outra eram indispensáveis, mas a insistência foi além do necessário. Isso, porém, não significa que o Brasil não tenha se esforçado para negociar. A iniciativa privada, ao largo da política e da eleição, teve mais êxito, mas o governo fez o possível. Os argumentos técnicos foram muito bem construídos contra as inúmeras mentiras sobre PIX, desmatamento, balança comercial e vai por aí afora. Mas... Os "negociadores" do outro lado não estavam dispostos a ceder um milímetro e nem mesmo a ouvir os argumentos técnicos. Foi uma decisão unilateral, trancada num único cofre: a cabeça de Trump. Ele quis, ele impôs.