O debate da Band e do Estadão, o primeiro entre candidatos à Presidência neste ano, foi importante por expor uma síntese triste, dolorosa, de como a eleição de 2026 tende a entrar para a história como a mais desanimada e mais desanimadora entre as nove desde a primeira direta na redemocratização. Logo, também a pior.Com o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro polarizando a campanha, não houve espaço para alternativas competitivas. O ex-senador e ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que tem 5%, no terceiro lugar, tenta discutir programas e propostas, mas fica falando sozinho.Ao chegar à Band, Caiado definiu com uma frase, não só os motivos para a ausência de Lula e Flávio, mas a tragédia desta eleição. Os dois “fujões”, segundo ele, “não têm nada a mostrar, mas têm muito a esconder”.Eleito pela primeira vez em 2002, Lula tinha a aura do menino retirante, que escapou da seca do Nordeste num pau de arara, tornou-se líder sindical, fundou o Partido dos Trabalhadores e assumiu-se “dono” da bandeira da igualdade social. Reeleito em 2006, Lula depois amargou 580 dias na prisão e disputou em 2022 com a velha aura esmaecida e nada de novo. Venceu como o anti-Bolsonaro, inclusive com apoio de figuras simbólicas do PSDB original.Lula chega a 2026 sem marca, sem projeção de futuro e com o risco de deixar como herança, essa, sim, “maldita”, uma baita crise fiscal. Seu mote mais emblemático, a soberania nacional, lhe foi dado pelos Bolsonaro e o resto, os projetos populistas, são financiados pelo Tesouro. Dá para abafar o “fator Lulinha”?Se Lula não tem marca, Flávio não tem marca, passado, biografia, experiência, equipes e relações internacionais expressivas (além de Trump, com quem falou rapidinho, para tirar fotos). Sua única credencial é o sobrenome.Quem é Flávio para ser presidente? O que fez na vida, além de passar pela Alerj e pelo Senado na sombra do pai e se envolver em histórias inacreditáveis, como a da medalha para um chefe de milícia na cadeia?Caiado tem passagens relevantes pelo Congresso e o governo de Goiás, mas deixou passar o cavalo encilhado em 2018 e, agora, quando terá 77 anos, enfrenta uma polarização intransponível.Romeu Zema fugiu, mas não fez falta no debate de domingo. Caiado dividiu holofotes com o psiquiatra e candidato diletante Augusto Cury e o também “outsider” Renan Santos que, de tão indefinível, é definido como “o novo Pablo Marçal”.Bem... ele parece com Marçal na agressividade estéril e, por isso, tem contribuição inquestionável para que esta seja uma das piores eleições desde 1989. Senão a pior. O eleito vai precisar de muita sorte.