O resultado da crise sem precedentes no Supremo, devastador para o humor nacional e a já frágil confiança nas instituições, atinge as eleições. Sem programas de governo, com propostas reais e factíveis, a base de eleitores e eleitoras para votar é o mar de lama e a nociva sensação de que "são todos iguais, ninguém presta, não temos para onde correr". Daí os dois dígitos do outsider Augusto Cury. O escândalo bilionário do onipresente Daniel Vorcaro atinge direita, esquerda e principalmente Flávio Bolsonaro, que se jogou na rede ao pedir a bagatela de R$ 130 milhões para o "irmão" banqueiro. Mas, ao destroçar a reputação do ministro Alexandre de Moraes e rachar de vez o STF, o caso respinga sobre o presidente Lula. O estrago contra Flávio já foi feito e, até surgirem novas revelações, atingiu o teto. Se há ainda estrago a ser feito é contra Lula, que não é suspeito de envolvimento direto com Vorcaro, como Flávio, mas embolou-se com Moraes, como se fossem aliados, do mesmo time.