Chegamos a mais um Dia Mundial da Água. Mais que uma data no calendário, trata-se de um chamado ético à responsabilidade coletiva. O dia 22 de março foi instituído oficialmente pela Organização das Nações Unidas durante a histórica Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro. Naquele momento, a comunidade internacional reconheceu que a água é um direito humano essencial e que milhões de pessoas viviam sem acesso a esse bem indispensável à dignidade da vida. Naquela época, dados da Organização Mundial da Saúde indicavam que cerca de 23% da população mundial não contavam com abastecimento de água potável gerenciado de forma segura. O alerta era claro: a má gestão dos recursos hídricos compromete a saúde pública, aprofunda desigualdades sociais, fragiliza economias e desequilibra ecossistemas inteiros. A expectativa era de transformação. Contudo, passadas mais de três décadas, relatórios recentes da própria Organização Mundial da Saúde (OMS) em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância revelam que, em 2024, aproximadamente 1 em cada 4 pessoas no mundo ainda carece de acesso seguro à água de qualidade para beber e para o uso básico. Em termos porcentuais, 25% da população global. Ao longo desse período, a realidade piorou.