O debate sobre a longevidade no Brasil vai além de um fenômeno biológico para se tornar uma variável econômica. O tempo extra de vida assumiu as características de um passivo financeiro de longa duração: ele é previsível, crescente e implacável para quem não se planeja. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 32 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, o que representa cerca de 15% da população. As projeções indicam que, até 2060, esse contingente corresponderá a aproximadamente um quarto da população. Paralelamente, a expectativa de vida já ultrapassa os 76 anos. Essa combinação já está alterando a lógica tradicional do ciclo de vida. O que antes era estruturado como um período produtivo seguido por uma aposentadoria relativamente curta, passa a demandar a sustentação de décadas adicionais, frequentemente marcadas por redução de renda e aumento progressivo de despesas.