Há no Evangelho de Mateus uma parábola que os apressados leem mal. Um homem semeia trigo; à noite, o inimigo semeia joio no mesmo campo. Quando ambos crescem, os servos propõem arrancar o joio. O senhor adverte: não, pois arrancareis também o trigo. Esperai a colheita. A sabedoria está no tempo e no modo de separar. Quem quer o bem depressa demais pode destruir aquilo que pretendia salvar. O sigilo da fonte não é privilégio corporativo nem capricho de repórter. É garantia constitucional. O art. 5º, XIV, resguarda-o quando necessário ao exercício profissional. A Constituição não protege apenas o jornalista; protege o cidadão que, sem a fonte, jamais saberia aquilo que o poder esconde. A fonte é a raiz invisível da qual se alimenta o trigo. A história conhece o valor desse silêncio. Foi uma fonte anônima, o “Garganta Profunda”, quem permitiu ao Washington Post puxar o fio do escândalo Watergate. Daniel Ellsberg entregou ao New York Times os Pentagon Papers, e a Suprema Corte recusou-se a calar a imprensa.