Todo começo de ano uma lista de metas, objetivos, promessas, supostas conquistas e mudanças de hábitos se repete, e muitos insistem em anotar, em algum lugar, essa missão de sucesso, de fazer mais e mais… Trabalhar mais, exercitar mais, produzir mais, controlar mais… Mais dieta, mais network, mais imersões, mais resultados… Como se a vida fosse um projeto de eficiência contínua e o sujeito, um empreendimento permanentemente em dívida consigo mesmo. Lembro-me, agora escrevendo essa reflexão, que poderá ser um conselho, que a experiência da pandemia nos ensinou, duramente, algo valioso: em determinados contextos, o gesto mais responsável é não fazer. Não sair. Não ocupar todos os espaços. Não responder. Não interagir. Naquele tempo, 2020, recolher-se e economizar recursos não era fracasso, era cuidado.