O escritor francês Régis Debray fará 86 anos no mês que vem. “O eflúvio da manhã, quem o pede ao crepúsculo da tarde?”, pergunta Carlos Drummond num poema em homenagem a Machado de Assis. No que diz respeito ao afã de publicar, Debray daria resposta positiva à pergunta. Lançou mais de 70 livros desde “Revolução na Revolução”, de 1967, o único a provocar estrondo -por defender a guerrilha como tática de tomada do poder. É uma média de dez por década. Haja fôlego para tal ímpeto matutino e juvenil. Louve-se sua persistência. Quanto à substância do que escreve, ela é crepuscular. Octogenário que passou por um AVC, seus dois últimos livros têm o timbre do canto do cisne. Ou antes, da “Canção do Outono”, de Baudelaire: “Logo afundaremos na treva fria;/ Adeus, vivo brilho de nossos verões tão curtos”.