Anualmente, especialmente no mês de março, reunimo-nos, em diversos espaços, para discutir o aumento da violência contra as mulheres. Falamos da necessidade de aumento de penas para diversos crimes, de políticas públicas que devem ser implementadas e de campanhas institucionais, mas os resultados não aparecem. Todos os dias somos confrontados(as) com notícias de estupros, agressões, assassinatos e violência institucional, dentre outros, sendo praticados contra as mulheres. E a pergunta permanece: por que não conseguimos alterar essa realidade? A resposta reside em uma questão de base fundamental: a ausência de perspectiva de gênero. Não me refiro apenas ao “Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero” do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — instrumento vital para a mudança de atuação do Sistema de Justiça. Falo da perspectiva de gênero como premissa de Estado.